Título: Dólar sobe 3,49% e atinge R$2,166
Autor:
Fonte: O Globo, 16/10/2008, Economia, p. 24

Cotação chegou a avançar mais de 5% no dia, com quedas nas bolsas.

O temor de que os Estados Unidos já estejam em recessão provocou ontem uma corrida ao dólar, por parte de investidores interessados em realizar ganhos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e enviar recursos ao exterior. A forte atuação do Banco Central (BC) no câmbio conteve, em parte, a alta. Mas, apesar de a instituição ter oferecido quase US$2,5 bilhões ao mercado, a moeda americana subiu 3,49%, para R$2,166.

O dólar já abriu pressionado, com ganhos de 1,04%, cotado a R$2,125. Pouco depois das 10h, o BC vendeu US$250 milhões de suas reservas. Às 11h, ofereceu US$600 milhões em linhas - modalidade em que vende o dólar, com promessa de recompra no futuro. Às 13h, a autoridade monetária fez um leilão de swap cambial de US$1,282 bilhão, em que troca a variação da moeda por uma taxa. E, à tarde, voltou a dar US$400 milhões em linhas. Na cotação máxima do dia, o dólar chegou a subir 5,11%, para R$2,20.

Para especialista, BM&F fez "jogatina" com câmbio

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, contratos com vencimento em novembro de 2008 atingiram variação máxima de 6% por duas vezes. Acima deste teto, as propostas deixam de ser computadas.

- O que complicou a situação foram as declarações do Ben Bernanke (presidente do Fed, o banco central dos EUA) e do Henry Paulson (secretário do Tesouro americano) sobre a fragilidade da economia americana - disse Mário Battistel, da Fair Corretora.

Segundo ele, no mercado acionário, os investidores têm vendido ações para embolsar o lucro diante de qualquer possibilidade de queda. Para mandarem os recursos para o exterior, os estrangeiros compram dólar, o que pressiona as cotações. O giro financeiro ficou em torno de US$2,6 bilhões.

Para Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora de Câmbio, há também pressão de empresas que tentam desfazer suas posições na BM&F, o que "contamina" o mercado à vista, apesar das ações do BC. Algumas acreditavam na queda da moeda e fizeram operações com câmbio no mercado futuro. Diante das altas recentes, elas agora tentam desfazer essas apostas comprando dólar, e elevam seu valor.

"Lamentável que a BM&F tenha se afastado de sua finalidade precípua, concentrando uma "jogatina" em torno do preço da moeda americana", escreveu Nehme, em seu relatório diário.