Título: Senado acelera demissão de parentes de servidores
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 18/10/2008, O País, p. 18
Alguns funcionários com cargos de chefia abrem mão da função para manter familiares
Adriana Vasconcelos
BRASÍLIA. A pressão da Procuradoria Geral da República para que a súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo fim do nepotismo seja cumprida levou ontem o Senado a acelerar, pelo menos, o processo de demissão de parentes de servidores da Casa com cargos de chefia. Só no boletim de ontem foram registradas 23 exonerações e uma nova leva deverá ser publicada segunda-feira. Mas alguns funcionários com cargo de chefia optaram por uma manobra para preservar empregos de parentes não-concursados.
Três diretores e dois chefes de gabinete do Senado preferiram abrir mão da função de chefia - pela regra, o funcionário não-concursado não pode ter parente exercendo esses cargos. Entre os que fizeram essa opção está o chefe de gabinete da presidência do Senado, Florian Augusto Coutinho Madruga, que abriu mão do cargo comissionado para que o sobrinho, João Paulo Madruga, pudesse continuar assessorando o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Outros diretores que permaneceram nas funções de chefia tiveram seus parentes demitidos. Este é o caso, por exemplo, da secretária geral da mesa do Senado, Cláudia Lyra, que teve as duas filhas e um cunhado exonerados no boletim de pessoal que foi divulgado ontem.
No total chega a 43 o número de parentes de parlamentares exonerados no Senado desde a publicação, no último dia 29 de agosto, da súmula do STF contra o nepotismo. Na Câmara, mais de 70 parentes de parlamentares foram demitidos depois da decisão do Supremo.