Título: Petistas criticam erros da ex-ministra
Autor: Barbosa, Adauri Antunes; Freire, Flávio
Fonte: O Globo, 10/10/2008, O País, p. 8

No Planalto, percepção é de que reação de Marta é possibilidade remota.

BRASÍLIA. A pesquisa Datafolha divulgada ontem reforçou avaliação que já vinha sendo feita no Palácio do Planalto desde segunda-feira de que é muito remota a possibilidade de reação de Marta Suplicy. Esta semana, a cúpula petista já havia feito internamente análise semelhante sobre as dificuldades da ex-ministra do Turismo. Mas ninguém verbaliza essa constatação.

A ordem é manter o esforço para tentar virar o jogo. Lula já deixou claro que mantém o compromisso de subir no palanque de Marta e participar de seu programa eleitoral, ainda que isso represente um eventual desgaste. Um auxiliar direto do presidente comentou que a repercussão negativa seria muito pior se Lula recuasse da decisão de participar da campanha em São Paulo. Daria munição para a oposição afirmar que Lula estaria se protegendo de uma "derrota anunciada" da petista.

No Planalto e em setores do PT no Congresso o que se ouviu foi que a campanha de Marta cometeu erros sucessivos no primeiro turno e que agora fica mais difícil ultrapassar Kassab. Entre os erros apontados, está o fato de Marta ter ficado ausente do noticiário por causa da polarização entre Kassab e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). O que se diz hoje é que ela deveria ter criado fatos para não ficar fora do noticiário.

Outra crítica é que Marta não conseguiu estabelecer diálogo com o eleitorado da classe média. Ao mesmo tempo, com a população mais carente, Marta ainda é vista como uma candidata da elite. Petistas palacianos reconhecem que Marta só venceu as eleições, em 2000, porque contou com o apoio explícito do então governador Mario Covas (PSDB-SP), na disputa que ela travava contra o ex-prefeito Paulo Maluf (PP). Agora é Kassab quem conta com os votos dos tucanos.