Título: Lula quer que Serra se desculpe sobre polícia
Autor: Farah, Tatiana
Fonte: O Globo, 18/10/2008, O País, p. 10
Tucano havia afirmado que confronto entre PM e policiais civis em São Paulo teria sido incitado por petistas.
SÃO PAULO. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem esperar um pedido de desculpas do governador José Serra (PSDB), que creditou aos petistas a batalha campal entre as polícias civil e militar na última quinta-feira. Em discurso num comício da campanha de Marta Suplicy (PT) à prefeitura paulistana, Lula criticou ainda a repressão aos policiais civis, que estão em greve.
Os policiais faziam passeata até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, quando foram impedidos pela tropa de choque da PM. As duas polícias entraram em confronto de mais de 40 minutos, com 35 feridos. Serra responsabilizou o PT e o PDT, além das centrais sindicais, por suposta incitação à greve e ao conflito, dizendo que a manifestação teve conteúdo eleitoral.
- O governador Serra, me conhecendo do jeito que conhece, não tinha o direito de acusar o PT nesse caso da Polícia Civil. Espero que, em algum momento, ele peça desculpa - disse Lula, que emendou, lembrando o que passou na crise do mensalão: - Eu já comi o pão que o diabo amassou, em 2005, e vocês nunca me viram acusar quem quer que seja.
Lula criticou a postura de Serra em relação à greve:
- Quem não quer ser cobrado pelo povo que não seja governo - disse.
Para o presidente, manifestações, como passeatas, não deveriam ser reprimidas.
- Isso é democracia. É assim que a gente fortalece a sociedade, as entidades de classe, os movimentos sociais. Por que vou ficar nervoso quando os movimentos de moradia vão a Brasília fazer passeata? Tem que fazer passeata. É democracia.
Apesar dos comentários e da demonstração pública de insatisfação em relação às declarações do governador, Lula manteve-se distante do caso. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), presidente da Força Sindical e um dos apoiadores de Marta Suplicy, pretendia levar uma comissão de policiais ao encontro do presidente com uma carta de reivindicações ontem. Chegou a anunciar o encontro durante evento anteontem no Sindicato dos Investigadores de Polícia.
Uma hora antes da chegada de Lula ao comício de Marta, na Casa de Portugal, em São Paulo, O GLOBO foi informado da mudança de planos: os policiais decidiram "despolitizar" a greve. Em vez de conversar com Lula, a comissão deverá encontrar-se com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. A greve do setor está sob julgamento do STF.