Título: TSE condena baixarias
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 21/10/2008, O País, p. 3

Para ministro Ayres Brito, "agressões e incontinência verbal" são desrespeito a eleitor.

Opresidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, criticou ontem os excessos cometidos por candidatos em acusações mútuas durante debates no segundo turno das eleições. Sem citar nomes, Ayres Britto disse que incontinência verbal e excesso de linguagem são condenáveis. Para ele, esse tipo de campanha é um desrespeito ao eleitor. O ministro defendeu uma campanha de alto nível e disse que excessos devem ser informados à Justiça Eleitoral, que tem o poder de resolver esses casos.

- O que queremos é uma disputa de alto nível, com os candidatos respeitando-se e respeitando o ouvinte e o telespectador, que não gosta de agressões, de incontinência verbal. Isso é uma competição empenhada (acirrada), porém respeitosa - disse. - Quanto à incontinência verbal, o excesso de linguagem é condenável. É um desrespeito ao opositor, é uma desconsideração ao próprio ouvinte, ao telespectador.

Sem citar candidatos ou situações específicas, Ayres Britto disse que debates existem para o eleitor conhecer os candidatos e suas propostas:

- É o que a lei permite. Fora disso, é excesso e só merece reprovação.

O ministro disse que, nas discussões entre candidatos, é natural que a temperatura suba - como tem acontecido nas campanhas de Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Mas condenou "baixarias" e "ofensas pessoais":

- Eleição é disputa, é competição, mas não é uma partida de futebol, não é um corpo-a-corpo no sentido de se dar botinadas para cá e para lá - concluiu.

Segundo turno no Rio sem o Exército

O ministro falou após encontro com os presidentes dos 15 Tribunais Regionais Eleitorais responsáveis pelas 30 cidades onde haverá segundo turno no domingo. O presidente do TRE do Rio de Janeiro, desembargador Alberto Motta Moraes, aproveitou para condenar a divulgação de propagandas negativas a candidatos. No Rio, foram apreendidos 12 mil panfletos contra Fernando Gabeira (PV). Aliados de seu concorrente, Eduardo Paes (PMDB), são suspeitos de terem fabricado o material. O desembargador disse que ainda é cedo para apontar culpados, mas condenou a prática:

- Não soa bem esse tipo de propaganda. A primeira forma de coibir é denunciar. O tribunal já está atento.

Motta Moraes elogiou o desempenho das Forças Armadas no primeiro turno no Rio, mas ressaltou que o trabalho dos militares acabou não influenciando o resultado das eleições na capital. Em tom de lamento, ele lembrou, sem citar nomes, que alguns candidatos a vereador patrocinados por milícias venceram nas urnas.

- As tropas federais deram conta do recado. Nos locais onde eles atuaram, a tranqüilidade foi absoluta. Não tenho dúvida de que eles não influenciaram na eleição. Parte expressiva dos eleitores escolheu candidatos de milicianos. Agora, a cidade vai ter que conviver com isso - analisou o desembargador.

O desembargador voltou a dizer que a presença dos militares não será necessária no segundo turno, já que a vulnerabilidade era maior na campanha para a Câmara de Vereadores:

- O grande componente de complicação foi a eleição de vereador. Essa que deu mais problema. Agora, no segundo turno, não será mais necessário (pedir a ajuda das tropas). É uma disputa acirrada, mas só entre dois candidatos.

No encontro de ontem, Ayres Britto anunciou que a expectativa da Justiça Eleitoral é conhecer o resultado das eleições às 20h do domingo, três horas após o fim da votação. Segundo o ministro, também se espera uma abstenção menor no segundo turno. No dia 5, o índice chegou a 14,54% do eleitorado.

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