Título: Troca de moeda reforça poderio do BC
Autor: Camarotti, Gerson; Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 24/10/2008, Economia, p. 28

Meirelles teria aval de outros bancos centrais.

BRASÍLIA. O cacife para brigar com o mercado que o Banco Central demonstrou ter ontem é reforçado pela permissão que a instituição obteve, por intermédio da Medida Provisória 443, editada na terça-feira à noite, para trocar reais por moeda forte com outros bancos centrais no mundo. Essas operações, conhecidas como swap, significam que a autoridade monetária pode obter dólares para vender no Brasil e irrigar o mercado sem gastar as reservas, que somam mais de US$200 bilhões.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, conversou com as principais instituições do mundo antes de divulgar a medida e teria constatado a disposição delas de aceitar reais - uma moeda pouco importante em termos de trocas internacionais - para eventualmente injetar liquidez no Brasil. Os principais bancos centrais do mundo são o Federal Reserve (Fed, dos EUA), o BCE (da União Européia), o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão.

Para estas autoridades monetárias, a importância de uma medida como esta seria colaborar para evitar instabilidade adicional nos mercados financeiros. Além disso, uma situação calma nos mercados emergentes - que manterão taxas de crescimento, a despeito de menores - significa uma saída mais rápida do mundo desenvolvido da recessão.

Na prática, a medida ampliou a artilharia de que o Brasil dispõe para conter ataques especulativos. Para analistas, por isso ontem o mercado não questionou a vontade do BC de conter a valorização do dólar.

É justamente esta combinação de fatores que faz com que o mercado acredite que o BC provavelmente nunca precisará realizar os swaps.

- O BC anunciou ontem que poderá fazer swaps de até US$50 bilhões, mais que o dobro do que existia no mercado, de US$23 bilhões antes da crise. Este anúncio tem mais credibilidade pois sabemos que agora o BC pode fazer swap com outros BC - disse Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências.

Para Mário Battistel, da Fair Corretora, é provável que o BC sequer venha a utilizar este mecanismo - uma espécie de "socorro" de liquidez ao próprio BC. Mas só o fato de existir, dá mais confiança ao mercado.