Título: Propostas de campanha difíceis de concretizar
Autor: Barbosa, Adauri Antunes
Fonte: O Globo, 28/10/2008, O País, p. 14
SÃO PAULO. Mesmo com previsão de orçamento para o ano que vem 16% maior que o aprovado em 2008, Gilberto Kassab (DEM) poderá ter dificuldades para colocar em prática todas as propostas de campanha. Avalia-se que a forma de distribuição para os recursos previstos no orçamento - de R$29,3 bilhões -, já enviada à Câmara, não seria totalmente compatível com as promessas que ele fez nos últimos 112 dias.
- Ele (Kassab) pode justificar que terá de deixar de fazer por causa da crise, mas na verdade ele mandou um orçamento de ficção para a Câmara, que prevê pouca mudança para a cidade - disse o vereador Paulo Fiorilo, vice-líder da bancada do PT e membro da Comissão de Finanças.
Coordenadores de campanha do prefeito contestaram a crítica e afirmaram que a prefeitura trabalha com superávit de cerca de R$5 bilhões por ano, além de poder remanejar 15% das verbas orçamentárias.
A dotação para construção de unidades dos Centros de Educação Unificados (CEUs) é um dos exemplos do que pode não sair do papel, segundo Fiorilo. Na campanha, Kassab garantiu a construção de pelo menos mais 21 unidades até 2012. A prefeitura calcula investimento de R$30 milhões, em média, para construir cada um. Entretanto, a dotação orçamentária para 2009 é de R$56,9 milhões, o suficiente para duas unidades no próximo ano, por exemplo.
Uma das principais bandeiras da campanha, a construção de creches também não deve atingir o volume proposto por Kassab. A Parceria Público Privada, com edital suspenso pelo Tribunal de Contas, prevê aplicação de R$2,5 bilhões para o setor nos próximos 252 meses. Por essa razão, a média anual seria investir R$120 milhões por ano. No orçamento de 2009, porém, a prefeitura prevê gastar com o setor apenas R$75 milhões.