Título: Berzoini cobra juízo de petistas e peemedebistas
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 28/10/2008, O País, p. 17

Presidente do PT ressalta importância da aliança

Gerson Camarotti

BRASÍLIA. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), cobrou ontem "juízo" de petistas e peemedebistas para manter a aliança nacional em torno do governo Lula. Citou a crise financeira e a sucessão presidencial como fatores que devem ser analisados pelos dois partidos para manter a unidade. Após reunião da Executiva Nacional, Berzoini deixou clara a intenção de manter diálogo constante com o PMDB, mas reagiu à possibilidade de negociar com faca no pescoço:

- Estamos negociando com o PMDB a boa convivência. Mas nenhuma relação se estabelece a partir da premissa de que alguém tem mais força do que outro. Nosso objetivo é não deixar que o clima eleitoral contamine a aliança. Não há racha. Houve disputa eleitoral. Temos que trabalhar com muito diálogo, principalmente onde houve embate entre PT e PMDB.

Há clara preocupação na cúpula petista com o preço que será cobrado pelos peemedebistas para manter a aliança em 2010. O PT limitou a ambição do PMDB. Berzoini disse que a tendência do partido é lançar candidato próprio em 2010, mas que lutará para manter os peemedebistas na aliança, mesmo com o assédio da oposição. Ele reconheceu que houve conflitos com o PMDB, como Salvador, onde os ânimos ficaram acirrados entre o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o governador Jaques Wagner.

- No calor das eleições, é natural que aconteçam divergências. Mas é importante que, agora, todos tenham juízo. Vamos ter que trabalhar juntos em 2009. Vamos enfrentar uma crise financeira. E temos que trabalhar para manter a aliança em 2010.

Sobre a aliança entre PT e PMDB no segundo turno do Rio, Berzoini admitiu que foi melhor opção apoiar a candidatura do eleito Eduardo Paes, do que ficar neutro:

- Na política, a neutralidade não costuma dar certo.

Ele disse que Marta Suplicy terá apoio do PT para qualquer reivindicação:

- O resultado eleitoral não a enfraquece para qualquer pretensão.