Título: Não vejo rebaixamento do PT. A hora é de buscar a convergência
Autor:
Fonte: O Globo, 28/10/2008, O País, p. 17

Prefeito de BH defende nome de Dilma para 2010

O prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel, um dia depois de garantir a vitória de Márcio Lacerda (PSB), apoiado por ele e pelo governador tucano Aécio Neves, começou a buscar a reconciliação com o seu partido, o PT. Ele defendeu a candidatura da ministra Dilma Rousseff à sucessão presidencial, e afirmou que, se Aécio for candidato a presidente, eles estarão em lados opostos em 2010.

Adriana Vasconcelos

O senhor achou que essa vitória podia escapar?

FERNANDO PIMENTEL: Num breve momento, na passagem do primeiro para o segundo turno, ficamos abalados. Mas durou dois ou três dias, rapidamente nos reagrupamos e reorganizamos a campanha.

Belo Horizonte acabou sendo a única grande capital onde o PT, ainda que na condição de vice, está na prefeitura. Mas era titular...

PIMENTEL: Não vejo de forma alguma rebaixamento do PT. Liguei para o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, e vou visitá-lo esta semana.

A direção nacional do PT errou ao avaliar a situação em Belo Horizonte? Acabou perdendo com candidatos próprios em São Paulo, Salvador e Porto Alegre.

PIMENTEL: Não devemos aprofundar divergências. A hora é de buscar a convergência, o entendimento, a unidade. A direção nacional tem seus méritos, mas também cometeu erros. Berzoini deverá convocar o diretório nacional para fazer uma reflexão.

Em sua opinião, Aécio ficou mais forte para 2010?

PIMENTEL: Diria que o governador Aécio sai fortalecido não como candidato a presidente, mas como uma liderança política nacional que ele é. Digo isso com muita franqueza porque o governador não é do meu partido e, certamente, se ele for candidato a presidente da República pelo PSDB, eu não vou apoiá-lo, e ele sabe disso. Nós estaremos em campos diferentes. Acho que ele sai fortalecido como liderança política, não necessariamente como candidato a qualquer cargo eleitoral.

Dependendo dos rumos que Aécio tomar, sua parceria com ele tende a acabar?

PIMENTEL: A construção que fizemos só foi possível em função das circunstâncias locais. Tínhamos um partido, o PSB, que compõe a base do presidente Lula e também a do governador. Não temos a ilusão de que sempre vamos estar eleitoralmente no mesmo barco.

A eleição em Belo Horizonte reforça sua candidatura ao governo do estado?

PIMENTEL: Não haverá disputa no PT sobre quem será o candidato a governador, chegaremos a um acordo. O norte dessa discussão deverá ser a sucessão do presidente Lula. Hoje está muito cristalizada a idéia de que a ministra Dilma seria a possível futura candidata. Deveremos todos marchar nessa direção. Na minha cabeça não há candidato automático para governador.