Título: PMDB, fortalecido, preocupa governo
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 27/10/2008, O País, p. 21
No Planalto, avaliação é que partido poderá abandonar PT na sucessão de Lula.
BRASÍLIA e PORTO ALEGRE. O fortalecimento do PMDB, com o resultado final das eleições municipais, deixará o governo Lula ainda mais refém do aliado. Na condição de principal força política de sustentação ao Palácio do Planalto, o PMDB - que já tem seis ministérios - vai cobrar fatura alta para garantir a governabilidade no Congresso Nacional. Apesar de ter crescido em número de votos e prefeitos nesta eleição, graças à máquina do governo federal, não há ilusão no Planalto: dependendo do vento, o PMDB poderá abandonar o PT na eleição de 2010.
Para o ministro da Justiça, Tarso Genro, o PMDB se consolida como um grande partido de centro, o que vai levar governo e oposição a disputá-lo para compor as alianças para a sucessão de Lula.
- A disputa política em direção a 2010 sai modificada, porque a presença de um partido centrista forte, como o PMDB, exige uma definição programática maior nos dois pólos, que é o PSDB de um lado, e o PT, de outro. A definição programática que esses dois pólos vão fazer é que irá trazer, ou não, o PMDB para um sistema de alianças em direção a 2010 - afirmou Tarso, ontem, enquanto acompanhava a candidata Maria do Rosário (PT) em Porto Alegre.
Avaliação semelhante sobre o poder de pressão do PMDB é feita pela oposição:
- O PMDB se consolida como um partido de envergadura. Agora, vai continuar a fazer o que sempre fez com o governo: colocar a faca no pescoço - disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
Segundo o relato de um ministro, o presidente Lula está preocupado com o PMDB. Os peemedebistas devem testar sua força eleitoral na escolha dos presidentes da Câmara e do Senado. Lula não esconde a contrariedade com a ambição do partido em ficar com o comando das duas casas, ou de pelo menos interferir na escolha do candidato petista para o Senado.
Apesar do desconforto, no Planalto a determinação é de evitar conflito com os peemedebistas neste momento de crise financeira internacional, em que o governo vai precisar de seus votos no Congresso. Mas a estratégia de Lula é tentar conter o apetite do PMDB por novos cargos no primeiro escalão.
A avaliação do governo é que a disputa pelo Senado, que vem sendo antecipada por peemedebistas como Renan Calheiros (AL), tem o objetivo de funcionar como moeda de troca para aumentar o espaço do PMDB na Esplanada. O presidente do partido, Michel Temer (SP), nega que o PMDB tenha intenção de constranger o governo, mas reconhece que não há situação definida para 2010:
- O PMDB teve uma grande vitória eleitoral este ano. Isso dá uma musculatura maior ao partido. Esse resultado se deve à pacificação interna da legenda. O PMDB passa a ser indispensável. Mas não há intenção de colocar a faca no pescoço do presidente Lula. Não vamos exigir nada do governo. Agora, a realidade de 2010 vai ser determinada pelas novas condições políticas. Hoje, há integração com o governo, mas não é possível estabelecer nada agora.
(*) Enviada especial
oglobo.com.br/pais/eleicoes2008