Título: Resultados do 2º turno fortalecem PMDB e Serra
Autor: Braga, Isabel; Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 27/10/2008, O País, p. 29
Na base aliada, derrotas petistas consolidam Dilma como principal opção de Lula para sua sucessão.
BRASÍLIA. O segundo turno das eleições municipais consolidou o PMDB como o partido que mais se fortaleceu na geopolítica do poder. Os números das capitais e grandes cidades mostram ainda um novo quadro para a disputa eleitoral em 2010. O governador tucano José Serra largou na frente como o nome da oposição com maior visibilidade. Na base aliada, as derrotas petistas em São Paulo e Salvador consolidaram a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como a principal opção do presidente Lula para sua sucessão, já que tiraram da disputa a ex-ministra Marta Suplicy e o governador Jaques Wagner (BA).
Entre as lideranças regionais, a disputa consolidou dois nomes do PMDB: o governador Sérgio Cabral e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, da Bahia. No Rio de Janeiro, Cabral foi o principal cabo eleitoral da campanha do prefeito eleito, Eduardo Paes. Neste segundo turno, conseguiu o que parecia impossível: uma carta de Paes pedindo desculpas à família presidencial, o que resultou numa mensagem de apoio de Lula ao antigo desafeto.
Já na Bahia, o pragmatismo do ministro Geddel foi ainda maior. Depois de ter chamado o deputado ACM Neto de "Grampo Neto", no primeiro turno, numa referência ao escândalo dos grampos na Bahia envolvendo o ex-senador Antonio Carlos Magalhães, o peemedebista não teve constrangimento de fechar uma aliança com o líder do DEM para derrotar o governador Jaques Wagner. A reeleição do prefeito João Henrique (PMDB) transformou Geddel numa espécie de novo coronel da Bahia.
Para o ministro da Justiça, Tarso Genro, três partidos saem das eleições fortalecidos no plano nacional: PT, PMDB e PSDB:
- Sempre sustentei a necessidade de que tenhamos um partido centrista forte no Brasil, caso do PMDB hoje. O PT deve aglutinar um pólo de esquerda forte, com PSB, PCdoB e PDT, e se dirigir com um programa progressista em direção ao centro, para preparar 2010.
Mas essa foi uma eleição em que houve um número muito maior de caciques derrotados do que vitoriosos. Até mesmo Lula, com derrotas expressivas em São Paulo e Porto Alegre. Por essa lógica, foram derrotados caciques regionais como o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que viu a derrota do primo José Priante, em Belém, e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que viu escapar pelas mãos a vitória de Leonardo Quintão, em Belo Horizonte.
Na capital mineira, a eleição do socialista Márcio Lacerda não ficou caracterizada como vitória de seus dois principais padrinhos: o governador Aécio Neves (PSDB-MG) e o prefeito Fernando Pimentel (PT). Isso porque o eleitor explicitou a sua rejeição a tese da aliança entre PT e PSDB. Mas também não pode ser considerada uma derrota.
Derrota de Maria do Rosário enfraquece PT
O senador José Sarney (PMDB-AP), apesar de ter sido derrotado em São Luís, com a vitória do adversário histórico João Castelo (PSDB), venceu em Macapá, com a eleição de Roberto Góes (PDT).
Já em Porto Alegre, a avaliação é de que a derrota da deputada Maria do Rosário (PT-RS) enfraquece o partido, até porque ela ganhou o apoio explícito de Dilma, de Tarso Genro e até do presidente Lula, que gravou uma mensagem para ela.
No Planalto, o temor é que, com o fortalecimento do PMDB, cresça o constrangimento ocorrido nessa eleição, em Salvador, com as exigências feitas por Geddel, para evitar a presença de petistas na capital baiana, além da aliança com ACM Neto. Um auxiliar direto do presidente chegou a afirmar, numa referência ao ministro baiano, que é preciso limite até mesmo para o pragmatismo eleitoral.