Título: Eleitor não dá hegemonia a nenhum partido
Autor: Braga, Isabel; Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 27/10/2008, O País, p. 29
Poder da máquina elege oito prefeitos em 11 capitais; PT, que tinha elegido nove em 2004, desta vez elegeu seis.
BRASÍLIA.De Norte a Sul, o eleitorado não deu hegemonia a um partido. Na campanha do segundo turno, o peso das máquinas administrativas foi decisivo na eleição de oito prefeitos das 11 capitais que voltaram às urnas ontem: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Belém, Cuiabá e Florianópolis.
O resultado mostrou o fortalecimento dos partidos da base governista, especialmente PT e PMDB, se incluídas cidades médias. Em 2004, porém, o PT elegera nove prefeitos de capitais, e agora, apenas seis. Em 2004, a oposição elegeu 27 prefeitos nas 79 principais cidades do país (o chamado G-79: 26 capitais e as 53 cidades com mais de 200 mil habitantes), contra 19 agora.
No G-79, os partidos da base aliada passaram de 52 municípios, em 2004, para 60. O PT venceu em 21 cidades, sendo seis capitais (todas reeleições, sem conseguir conquistar São Paulo e Porto Alegre). O PMDB ganhou em 17, também com seis capitais. Em termos populacionais, o PMDB ganha nas capitais, governando 12,8 milhões de pessoas, contra 5,1 milhões do PT.
- O PMDB já saiu fortalecido do primeiro turno. Já é o maior partido do Brasil, em número de deputados e senadores, já tinha maior número de prefeituras e agora houve ampliação - disse o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP).
O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), reconhece que teria sido melhor vencer nas principais capitais, mas considera positivo o fato de o partido ter crescido cerca de 50% nas cidades com mais de 150 mil habitantes:
- Vencemos em 23 no primeiro turno e ficamos com 32 cidades (com mais de 150 mil). O PT não se sente um vitorioso exclusivo das eleições. Os partidos da base cresceram, e a oposição decresceu. É bom que o PMDB cresça. O PT não tem vocação para exclusividade.
PSDB diz sair forte para 2010
O PSDB não reconhece o enfraquecimento da oposição. O presidente nacional da legenda, senador Sérgio Guerra (PE), argumenta que o fato de o PT ter perdido em São Paulo para o DEM, com o apoio do PSDB, mostra a força da oposição principalmente para 2010. O prefeito reeleito, Gilberto Kassab, governará 10,8 milhões de pessoas, o segundo maior contingente governado por um partido no país, atrás apenas do PMDB.
- Quem vence em São Paulo vence as eleições. O PT manteve o discurso estreito, e ficou provado que o povo não tem dono. Ficaram muito confiantes na popularidade de Lula, acharam que isso revogaria a oposição, mas não foi assim e será menos ainda, agora - disse Guerra.
Em 17 das 30 cidades que tiveram eleição em segundo turno, a disputa se deu entre partidos da base aliada. A conta inclui o Rio, onde o PV é partido da base, mas o candidato Fernando Gabeira é oposição. PMDB e PT disputaram em Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Anápolis, e cada partido, separadamente, disputou outras seis capitais com outros partidos da base. Os presidentes dos dois partidos, no entanto, minimizam os efeitos dessas disputas.
Michel Temer lembra reunião realizada no fim do ano passado, em que líderes da base aliada concordaram que a disputa municipal não deveria comprometer a aliança nacional:
- Depois de domingo, tudo é passado.
O presidente do PT diz acreditar na capacidade do presidente Lula de apaziguar os ânimos.