Título: Meirelles sinaliza manutenção de juro básico
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 27/10/2008, Economia, p. 37
Às vésperas da reunião do Copom, presidente do BC destaca ação do governo para evitar "exageros"
ANÁPOLIS (GO). Às vésperas de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidirá a taxa básica de juros (a Selic, hoje em 13,75% ao ano) em meio a uma das piores crises mundiais, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, fez questão de ressaltar que, no momento, o importante é manter as condições favoráveis para que a economia não perca fôlego, sinalizando que o BC pode manter a taxa de juros.
- Neste momento, a ação de todos os bancos centrais (do mundo) é intensa. O nosso trabalho é ininterrupto porque o importante é manter as condições para a economia brasileira continuar seu rumo sem sofrer exageros da crise - afirmou Meirelles, após votar de manhã numa escola municipal de Anápolis (GO), cidade natal.
A preocupação com o desempenho da atividade econômica do país ganhou importância na pauta do BC. Como a crise limitou a liquidez global, com bancos e empresas sem recursos para crédito, o BC tem dado sinais de que pode interromper - pelo menos, por enquanto - o processo de alta da Selic visto nas quatro reuniões anteriores. Não quer tornar o escasso crédito ainda mais caro e, por isso, parte do mercado espera que a autoridade monetária mantenha a taxa nos patamares atuais.
O BC vinha aumentando a Selic para controlar a escalada da inflação e trazê-la de volta ao centro da meta do governo em 2009, de 4,5% do IPCA. Apesar da subida brusca do dólar, que passa dos R$2,20 e afeta os indicadores de preços, o ritmo da atividade pode ser muito afetado no momento, caso os juros básicos continuem a subir.
Meirelles, que esteve nos Estados Unidos entre sexta-feira e sábado, disse que se encontrou com investidores e autoridades, e ouviu que a limitação de recursos nos mercados ainda é bastante intensa. Disse ainda que as ações tomadas, como a redução dos compulsórios bancários, têm sido bem avaliadas, e que tem mantido contato com outros BCs. Ele não respondeu, no entanto, se o BC brasileiro fará operações de troca de reais por outras moedas.
- O importante é darmos a mensagem de que estamos tomando as medidas necessárias e, caso necessário, poderemos usá-las - afirmou Meirelles, aparentando bastante cansaço.