Título: FH cobra mais rigor fiscal do governo
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 27/10/2008, Economia, p. 37

Ex-presidente diz que PSDB deverá apoiar MP 443, mas com ressalvas.

SÃO PAULO. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou ontem do governo mais rigor fiscal e controle dos gastos para ajustar as contas públicas às novas condições econômicas. Para Fernando Henrique, o Banco Central vem agindo corretamente na adoção de medidas para atenuar os efeitos da crise, mas o governo, ao continuar elevando seus gastos, comporta-se de forma contraditória.

- O BC agiu corretamente. Mas na área fiscal, não. Ou alguém tem dúvida de que haverá uma diminuição dos recursos fiscais no ano que vem? Portanto, o governo federal já deveria ter cortado gastos, mas se comprometeu com muitas despesas que vão ser difíceis de serem aceitas no ano que vem. Então, não se pode dizer que o governo esteja no caminho certo - disse o ex-presidente, depois de votar ontem em São Paulo, recomendando: - É preciso tomar as medicinas em tempo oporturno. Não tem cabimento votar agora, no Congresso, um aumento de pessoal. Não tem que contratar mais gente. É claro que numa situação de crise o governo tem que dar crédito e investir. Mas investir não é gastar mal. É investir no setor produtivo, de infra-estrutura.

Fernando Henrique afirmou ainda que seu partido, o PSDB, deve apoiar no Congresso a aprovação das medidas anti-crise propostas pelo governo, mas com certas ressalvas.

O ex-presidente citou especificamente a Medida Provisória Provisória 443, que deu poderes que os bancos federais não tinham. Na sua avaliação, há na medida pontos suspeitos, que deverão ser mais bem explicados:

- Nós temos que ter equilíbrio. Tem que votar, excluindo o que esteja errado. Foi dado poder para comprar o que queira, o governo federal pode se associar a qualquer coisa, até com imobiliárias. Uma coisa é você socorrer, via mecanismo financeiro, uma empresa, outra coisa é você se associar a essa empresa.