Título: Lula admite novas medidas a favor do crédito
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 27/10/2008, Economia, p. 37
Presidente se reúne hoje em São Paulo com BC, Fazenda e empresários para identificar setores afetados pela crise.
SÃO PAULO. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que poderá tomar novas medidas para resolver problemas pontuais de crédito em setores afetados pela crise financeira internacional. Depois de votar em São Bernardo do Campo, ontem de manhã, Lula disse que passará o dia hoje reunido com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para identificar os setores mais afetados pela redução do crédito externo. Segundo fontes do Planalto, Lula também receberá empresários no escritório da presidência em São Paulo, onde ficará até amanhã.
- Agora estamos disponibilizando o crédito que falta no Brasil, seja diminuindo o compulsório e abrindo mão para que os bancos possam utilizá-lo, seja tomando cuidado para irrigar o crédito na construção civil, sobretudo, e nas pequenas indústrias. Amanhã (hoje) tenho uma reunião com o ministro Guido e com o Meirelles para que a gente discuta por setor econômico aqueles que estão necessitando de crédito porque temos recursos para isso - disse Lula.
Em rápida entrevista, Lula reconheceu o risco de uma recessão mundial e os possíveis danos à economia brasileira, especialmente do lado das exportações. Para o presidente, porém, o Brasil terá menos prejuízos porque diversificou os parceiros comerciais. Lula citou como exemplos o aumento das exportações para a Argentina e o continente africano.
Lula admitiu ainda que o impacto da crise no Brasil vai depender do sucesso das medidas tomadas pelos governos dos EUA e da União Européia. Lula voltou a negar que vá estatizar bancos em dificuldades, e descartou a possibilidade de liberar dinheiro público para o setor nos moldes do Proer, do governo Fernando Henrique Cardoso, ou mesmo para empresas que "apostaram em ganhar dinheiro fácil, (em) transformar a economia real em jogatina".
O presidente defendeu a alternativa proposta pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, de comprar ações dos bancos em dificuldades e depois revendê-las, quando a instituição retomar o equilíbrio.
- Uma das garantias pode ser o que está sendo feito pela Inglaterra e por outros países, aquilo que o presidente Sarkozy propôs. Em vez de dar dinheiro para banco sem garantia, você compra ações do banco e na hora em que ele se recuperar você vende as ações para o mesmo banco - disse Lula.