Título: Promessas de mais de R$15 bi
Autor: Vasconcellos, Fábio; Tabak, Flávio
Fonte: O Globo, 02/11/2008, O País, p. 3

Valor é o custo estimado de apenas 24 dos projetos anunciados por Paes para o Rio.

Em quatro meses de campanha, o prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), prometeu sem parar. Eleito, reafirmou que pretende cumprir todas as suas 83 propostas. Se isso acontecer mesmo, a futura administração municipal vai precisar não apenas de disposição, mas também de muito dinheiro. A pedido do GLOBO, a prefeitura e especialistas de diversas áreas estimaram o valor de compromissos assumidos pelo futuro chefe do Executivo, mesmo naqueles casos em que a maior parte dos recursos sairia da União e do estado. O cálculo mostra que somente 24 propostas somam, juntas, R$15,8 bilhões - valor nada fácil de ser obtido, ainda mais num ano de crise econômica mundial e com orçamento apertado.

O caixa municipal deve iniciar 2009 com uma estimativa de investimento de R$744 milhões, muitos dos recursos já vinculados a projetos em andamento. Para se ter uma idéia, os planos do peemedebista custarão mais que um orçamento inteiro da prefeitura. Para o ano que vem, as despesas do município serão de R$12 bilhões. Apesar do alto custo das propostas, o prefeito pode recorrer a parcerias com a iniciativa privada e convênios com o governo federal e estadual para ampliar sua capacidade de investimento nos quatros anos de governo.

Um dos projetos mais caros é o de transformação do porto do Rio em área turística. A obra, que dificilmente será realizada apenas com recursos municipais, não será barata. Segundo cálculos do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), baseado nos custos do projeto do porto argentino, a intervenção numa área de dois quilômetros quadrados no porto carioca representaria o gasto de R$7 bilhões. A idéia de transformar em região turística o entorno do Macaranã - lado esquerdo da linha férrea, num perímetro de um quilômetro quadrado - também pesaria nos cofres municipais: o IAB estima em R$5 bilhões o valor do projeto.

- O que distingue a renovação do porto das demais áreas é um mix urbano: frente para o mar, estruturas reaproveitáveis, áreas verdes, transporte rápido e proximidade da centro. O melhor para definir a concepção da renovação seria um concurso público internacional de arquitetura - aconselha o vice-presidente do IAB, Armando Mendes.

T-5 sairia por R$650 milhões

Nos transportes, Paes pretende implantar o corredor T-5, que ligará a Barra a Vila da Penha. O projeto, segundo estimativas na prefeitura, está orçado em R$650 milhões. Outra proposta é ajudar o governo do estado a construir a Linha 4 do metrô (Barra-Zona Sul). Na ponta do lápis, a obra custará cerca de R$2 bilhões. A parte que cabe à administração pública é de aproximadamente R$890 milhões; o restante é da iniciativa privada.

Na área da saúde, o principal projeto do novo prefeito é a ampliação do número de Unidades de Pronto-Antendimento 24hs (UPAs). Paes prometeu construir 40 UPAs, 15 delas já no primeiro ano de governo. Na avaliação de especialistas, erguer as 40 unidades não sai por menos de R$65 milhões. Já a idéia de ampliar o horário de atendimento nos postos de saúde, que funcionariam das 6h às 20hs, teria impacto de R$380 milhões. Nos planos do futuro prefeito constam ainda a criação de 50 equipes multidisciplinares de médicos para atuar em escolas. Para os idosos, o prefeito eleito prometeu criar 20 lares, que custariam, para atender quatro mil pessoas, R$6 milhões.

O economista e doutor em Saúde Coletiva e professor da UFRJ Bernardo Sicsú alerta para a impossibilidade de pôr alguns projetos em prática. A relação custo-benefício de parte das propostas, segundo Sicsú, é baixa, sobretudo com a crise mundial:

- Criar 150 equipes de atendimento domiciliar ao idoso, implantar 20 lares do idoso e essa de implementar 50 equipes de saúde nas escolas são inviáveis - diz ele.