Título: O novo aliado da PF no combate a crimes
Autor: Carvalho, Jaílton de
Fonte: O Globo, 02/11/2008, O País, p. 13

Sistema de dados inaugurado em outubro permite acessar desde fichas de criminosos até imagens de satélite da Amazônia.

BRASÍLIA. Instrumentos de interceptação telefônica como o Guardião e maletas de gravações, pesadelos de muitos criminosos de colarinho branco hoje, são página virada no processo de modernização da Polícia Federal. Desde o início de outubro está em funcionamento, na PF em Brasília, a primeira base do Centro Integrado de Inteligência Policial e Análise Estratégica (Cintepol), a maior rede de banco de dados cadastrais e criminais do país. Com um simples ato de apertar um botão, um investigador, em qualquer lugar que esteja, pode ter acesso a uma ficha completa e localizar um suspeito que esteja sob investigação.

Com a mesma simplicidade, o investigador poderá ainda conferir na tela de um computador portátil imagens de satélite de queimadas na Amazônia, de confusões de trânsito numa grande cidade ou de movimento de suspeitos de tráfico e contrabando em recônditas regiões de fronteira.

Em frações de segundo, o sistema busca, processa e oferece as informações disponíveis com fotos, gráficos e relações entre os dados pesquisados, de acordo com o interesse do pesquisador. São alternativas que podem turbinar ainda mais as grandes operações de combate à corrupção. Mais até que interceptações telefônicas.

- E tudo é tão simples e rápido como uma busca no Google. Esse vai ser o Google criminal - afirmou o delegado Marcelo de Melo Passos, gerente do Sistema de Análises do Cintepol.

O sistema permitirá ainda que juízes e procuradores acompanhem online os inquéritos criminais. Do gabinete de trabalho, num quarto de hotel ou até mesmo numa estrada do interior do país, um juiz terá condições de saber se um delegado está cumprindo as ordens expedidas, se tomou ou deixou de tomar determinados depoimentos ou se fez adequadamente as diligências previstas.

"É o primeiro passo para o inquérito digital"

Cada ato registrado no inquérito, desde a anexação de um documento a uma intimação, torna-se imediatamente livre para acesso de todas as autoridades do caso.

- É o primeiro passo para o inquérito digital. Somos a polícia mais bem equipada do mundo em termos de tecnologia da informação. Fizemos palestras para policiais alemães e ingleses sobre o assunto e eles ficaram impressionados com o grau de avanço que isso nos dará - afirmou o delegado Emmanuel Balduíno, coordenador-geral de implantação do centro.

De acordo com o delegado, nem o FBI, a polícia federal americana, dispõe de um sistema tão completo e que integra tantos bancos de dados como o Cintepol. Somente agora, sete anos após os ataques terroristas ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em Washington, é que as autoridades americanas estariam, finalmente, promovendo a integração dos bancos de dados cadastrais e criminais das instituições públicas do país aos moldes do novo centro de inteligência da PF. Até então, lá e cá prevaleciam os interesses específicos de cada corporação. Discursos públicos sobre cooperação e integração são sempre traduzidos, na prática, por intensa competição.