Título: Católico não está alheio
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 03/11/2008, O País, p. 4
Igreja resiste a campanhas do governo.
Ao comentar a trabalho de padres que distribuem preservativos, o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara, afirmou que há certas áreas de fronteira onde, se o religioso não participar, pode pecar por omissão:
- Possivelmente esses padres querem dar sua contribuição. É um sinal de que o católico não está alheio a esse problema. Mas a solução é mais abrangente do que a distribuição de camisinha.
No entanto, o avanço da atuação de religiosos na luta contra a Aids ainda esbarra numa oposição da Igreja a políticas do Ministério da Saúde, em especial das campanhas publicitárias pelo uso da camisinha. Para o secretário-geral da CNBB, essas propagandas desestimulam a fidelidade:
- O que nos preocupa nessas campanhas, como a do carnaval, não é o incentivo à prevenção. Não vejo na propaganda nenhum incentivo à fidelidade e ao respeito. Do jeito que é feita, incentiva é a iniciação muito precoce da sexualidade nos jovens.
O coordenador-adjunto do Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, disse que não só a Igreja Católica, mas adeptos de outras religiões estão envolvidos na luta contra a Aids. Para Barbosa, a Pastoral da Aids presta um serviço fundamental e auxilia o governo com sua ação. Ele considera um avanço que entidades ligadas à Igreja distribuam preservativos:
- O grande diferencial é que quem recebe a informação pode, sem deixar de praticar sua religião, optar qual melhor meio de prevenção.