Título: Negócio agora facilita compra da AIG no Brasil
Autor: Rosa, Bruno; Casemiro, Luciana
Fonte: O Globo, 04/11/2008, Economia, p. 28
Com a união, a seguradora do grupo se aproxima do Bradesco, com quase 20% do mercado.
A fusão entre Unibanco e Itaú vai facilitar a aquisição da parte da seguradora americana AIG que tem 50% da empresa de seguros do Unibanco. Em setembro, com a crise financeira, a AIG quase quebrou e foi estatizada, com o governo americano injetando US$85 bilhões na companhia. Para Álvaro Musa, sócio de Partner Conhecimento, a fusão Itaú-Unibanco dá mais cacife aos brasileiros para negociar com FED (banco central americano) a compra da parte da AIG. Pelo contrato entre as empresas, havia preferência de compra de ambas as partes. E próprio Unibanco chegou a comentar que estava tentando comprar a parte da seguradora americana. Na semana passada, o banco retirou de sua logomarca o nome da AIG:
- A negociação com um banco desse tamanho ficará mais fácil.
Para o economista da Consultoria Lopes Filho, João Augusto Salles, a crise na AIG foi só uma variável num ambiente cada vez mais competitivo que o Unibanco estava sem forças para se manter.
- A concorrência estava muito forte e o banco numa posição cada vez mais delicada. Mas o banco não sofreu perdas com os prejuízos da AIG. A Susep (Superintendência de Seguros Privados que regula e fiscaliza o setor) não permite que aplicações das seguradoras sejam feitas no exterior.
Portanto, não houve exposição do UnibancoAIG seguradora em papéis no exterior, os chamados "títulos exóticos".
Segundo analistas, não havia qualquer sinal no balanço sobre prejuízos da seguradora com a AIG. E os fundos de previdência, ramo que o Unibanco já tem tradição, são protegidos pois o patrimônio do fundo é separado do banco.
- Com essa fusão, aumenta muito o patrimônio líquido da seguradora, que baliza o ritmo de expansão das operadoras. Portanto, ela poderá crescer ainda mais - diz Gustavo de Cunha Mello, professor da Escola Nacional de Seguros.
Outro fator que melhora a situação da seguradora com a fusão é no campo do resseguro. A seguradora XL, uma das maiores do mundo com a holding na Suíça, entra no lugar da AIG para garantir os seguros da nova empresa:
- As duas seguradoras (Itaú e Unibanco) se complementam. O Unibanco está voltado para o ramo de automóveis e aeronáutica. O Itaú atua mais no ramo de petróleo e de máquinas - diz Mello.
Com a fusão, o novo banco praticamente se iguala ao Bradesco no ramo de seguros, líder do mercado global incluindo previdência. Segundo cálculos de Mello, o Bradesco domina 20% do mercado e ficará empatado com o Itaú/Unibanco, com 19,78% dos prêmios.