Título: Sindicatos temem demissões em massa
Autor: Duarte, Patrícia; Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 04/11/2008, Economia, p. 29

Entidades que reúnem bancários querem negociar garantia de empregos.

A fusão de Itaú e Unibanco coloca em risco o emprego de milhares de trabalhadores, temem sindicalistas do setor financeiro. Para evitar demissões em massa, as entidades representativas dos profissionais já se mobilizam para garantir os atuais empregos, agendando encontros com o novo banco e governo. Se necessário, contudo, não estão descartadas paralisações ou greves, alertam eles.

- O Itaú disse que não fechará agências e se reunirá com o sindicato logo. Ainda aguardamos o Unibanco. Nosso objetivo é preservar empregos e direitos dos trabalhadores. Mas, se as conversas não avançarem, greves e paralisações serão inevitáveis. Estamos falando de mais de cem mil empregos e de pessoas que passam por um clima de instabilidade - afirmou Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, lembrando que em outras fusões os sindicatos chegaram a conseguir garantia de emprego por alguns anos.

O Sindicato dos Bancários do Rio exigirá do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acompanhamento da fusão para impedir demissões e pedirá audiência com ministros e apoio de parlamentares.

- Vamos acompanhar de perto esta fusão e cobrar dos bancos a garantia dos empregos dos bancários. Não aceitamos demissões - avisou Vinicius de Assumpção, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio.

Segundo Marcolino, os dois bancos vinham, nos últimos anos, aumentando seus respectivos quadro de funcionários:

- Os bancos têm perspectiva de crescimento. Por isso, há condições de os profissionais serem realocados.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse em nota que teme por demissões no setor. Para ele, é "importante que o governo abra negociação com as centrais sindicais para evitar desemprego nesta área sensível, justamente neste momento de crise econômica internacional".

- A crise já é usada para justificar enxugamento de custos. Só que a crise não tem culpa por tudo que acontece - disse João Carlos Gonçalves, secretário-geral da Força Sindical.

As entidades questionam a concentração do setor e o risco de alta de tarifas. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) vai se reunir com o Banco Central a fim de que a fusão não prejudique a sociedade, clientes e usuários.

DUAS FAMÍLIAS, DUAS TRAJETÓRIAS QUE SE UNEM, na página 30