Título: PF: houve tempo para esconder provas
Autor: Aggege, Soraya
Fonte: O Globo, 13/11/2008, O País, p. 8
SÃO PAULO. O banqueiro Daniel Dantas teve dois meses e meio para "esconder provas" que pudessem incriminá-lo nos tribunais, segundo inquérito que apura o vazamento de informações da Operação Satiagraha. Nesse período, diz relatório do delegado Amaro Vieira Ferreira, o delegado da PF Protógenes Queiroz preparava devassa nas fazendas de Dantas no Pará, mas a divulgação das investigações pela "Folha de S.Paulo", em 26 de abril, fez com que a PF tivesse de abortar a operação.
Dantas teria sido beneficiado porque tomou conhecimento de que a PF preparava mandados de buscas e apreensões em seus endereços, inclusive no Pará. Protógenes Queiroz suspeitava que Dantas escondia documentos em uma das fazendas.
Em depoimento ao delegado Amaro Ferreira, o perito Fábio Melo Pfeifer informou que parte dos e-mails de Dantas interceptados pela PF indicava "alguma coisa" no Pará. O GLOBO tentou contato com o advogado do banqueiro, Nélio Machado, mas ele não foi encontrado nem respondeu ao recado deixado no telefone celular.