Título: Número de instituições vem caindo desde 1995
Autor: Oliveira, Germano
Fonte: O Globo, 09/11/2008, Economia, p. 30
Para Setubal, só há lugar para cinco ou seis.
SÃO PAULO. A crise financeira internacional, que acelerou a fusão de Itaú e Unibanco, deve apressar também o processo de concentração no sistema financeiro brasileiro, iniciado em 1995 com o Proer. O Brasil, que já teve 250 bancos, hoje tem 150, e a tendência é os maiores engolirem os menores, como vem ocorrendo no mundo. O presidente-executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, estima que o mercado brasileiro só tenha espaço para cinco ou seis grandes conglomerados.
Hoje, os 50 maiores bancos brasileiros já detêm 92% dos ativos, segundo o professor Domingos Pandeló, do Ibmec de São Paulo. O presidente da Austin Asis, Erivelton Rodrigues - para quem não houve fusão, mas a compra do Unibanco pelo Itaú -, acredita que o Bradesco, até a semana passada o maior banco privado brasileiro, deve acelerar sua avaliação de instituições para aquisição. Segundo Rodrigues, a melhor "noiva" era o Unibanco, mas ainda há outros. Ele cita a operação brasileira do Citibank, que, com a crise global, estaria em dúvida sobre permanecer no país.
- Será preciso juntar vários bancos pequenos e médios para dar um Unibanco. E a operação brasileira do Citi é uma boa oportunidade, se eles quiserem vender, claro - diz Rodrigues.
Já o professor de finanças da Universidade de São Paulo Celso Grisi afirma que não sobrou muita coisa além dos bancos Safra e Votorantim, ou até uma aliança com o HSBC. Outra saída, diz, seria o Bradesco aproveitar a crise financeira para adquirir instituições financeiras no exterior:
- O Bradesco terá que atirar para tudo que é lado, comprando bancos menores, carteiras de crédito, empresas de cartão, de seguros, e até pensar em acelerar sua globalização para tentar se aproximar do Itaú. (Germano Oliveira e Lino Rodrigues)