Título: Compra da Nossa Caixa pelo BB ainda depende de detalhes técnicos
Autor: Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 20/11/2008, Economia, p. 21

Mantega diz que operação não é vinculada à aprovação de MP no Senado

Patrícia Duarte

BRASÍLIA. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o governo não precisa esperar a aprovação da Medida Provisória (MP) 443 pelo Senado para fechar a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil (BB). Ontem, ele esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o governador de São Paulo, José Serra, mas a conclusão da operação não saiu. Segundo Mantega, ainda faltam fechar alguns detalhes técnicos, como valor e condições de pagamento. No mercado, especula-se que o negócio gire em torno de R$7 bilhões.

- Esta negociação não está sendo levada no plano político. Não vamos tomar uma decisão precipitada - afirmou Serra, lembrando que é preciso cautela sobre a operação devido ao sigilo que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) requer.

A MP 443 libera o BB e a Caixa Econômica Federal (CEF) para comprarem qualquer outra instituição financeira, seja privada ou pública, em dinheiro e sem licitação. Ela já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e agora precisa do aval do Senado. Não há estimativa de quando a MP será votada, mas as negociações do governo com a oposição prometem ser duras. Não pela possibilidade de os bancos oficiais poderem comprar outros bancos, mas sim pela criação da CaixaPar, que não agrada aos políticos de fora da base.

Dentro do BB, já havia a avaliação de que a MP 443 não precisaria ser aprovada pelo Congresso para que se concluísse a compra da Nossa Caixa, uma vez que ela legalmente já está valendo. Ontem, Mantega endossou essa posição ao ser questionado se o governo estava esperando a aprovação da medida pelo Legislativo para anunciar a compra. O próprio governador Serra, que tem influência no PSDB, seguraria possíveis reações negativas da oposição.

A compra da Nossa Caixa é muito importante para o BB neste momento em que perdeu a liderança no mercado nacional para o Itaú e o Unibanco, que anunciaram recentemente sua fusão e ativos de R$575,1 bilhões. Quando o BB levar a Nossa Caixa, passará a ter ativos de R$512,34 bilhões.

O BB também negocia a aquisição do Banco de Brasília (BRB), do governo do Distrito Federal, e de 49% do Banco Votorantim. Foca ainda em outras instituições financeiras.

Com base no ranking de ativos do BC, após recentes fusões e aquisições, três bancos (ativos no Brasil) se destacam como alvos do BB: o americano Citibank, com ativos de R$34,956 bilhões, o britânico HSBC (R$86,107 bilhões) e o francês BNP Paribas (R$22,484 bilhões). Os números dessas instituições ainda são referentes ao segundo trimestre.