Título: Volta ao topo já seria em 2009
Autor: Rodrigues, Lino
Fonte: O Globo, 21/11/2008, Economia, p. 21
Especialistas prevêem mais aquisições no setor bancário.
RIO e SÃO PAULO. Com a aquisição da Nossa Caixa, o Banco do Brasil pode voltar à liderança do setor financeiro em meados do próximo ano. A avaliação é de Erivelto Rodrigues, presidente da consultoria Austin Rating. Segundo ele, para alcançar a posição, o BB precisa adquirir o Banco de Brasília, além de concluir a operação para incorporar o Banco do Estado de Santa Catarina, comprado em setembro, o que deve levar alguns meses.
- É possível ver o BB de volta à liderança, já que Itaú e Unibanco têm uma sobreposição de 20% no número de clientes. Na operação entre BB e Nossa Caixa, esse índice não chega nem a 5%. Com o novo negócio, os três maiores bancos do Brasil detêm 55% do total de ativos do sistema.
Para Keyler Carvalho da Rocha, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), haverá muitas aquisições e fusões nos próximos meses. Para ele, apesar de a compra ser fruto de negociação que começou há meses, a fusão entre Itaú e Unibanco fez com que o processo ganhasse urgência:
- O governo federal acelerou a compra, para voltar a ser a maior instituição financeira do país, no ano em que o BB completa 200 anos.
Segundo Alberto Matias, professor titular de finanças da FEA-USP de Ribeirão Preto, o grande negócio do ano ainda está por vir, seria a já cogitada aquisição de 50% do Banco Votorantim, que tem ativos na ordem de R$73,6 bilhões, por parte do BB:
- Esta seria uma compra de peso e mais complexa. É uma instituição privada, com uma cultura muito diferente da dos bancos públicos.
Para Carlos Alberto Hercolin, diretor de economia e finanças da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) e professor da FGV-SP, é importante Lula manter a liderança do BB.
- O presidente Lula quer manter a imagem de "pai de todos os brasileiros", e o Banco do Brasil é visto como uma instituição que pertence aos cidadãos. (Bruno Rosa e Vinicius Segalla)