Título: Ex-presidente ataca sucessor e ex-subordinado
Autor: Gois, Chico de; Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 23/11/2008, O País, p. 3

BRASÍLIA. Apontado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, como o alvo de suas críticas de corrupção e má gestão na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o ex-presidente Paulo Lustosa se defendeu atirando contra o atual presidente do órgão, Danilo Forte. Lustosa argumentou que suas decisões se baseavam em pareceres técnicos e jurídicos. E reafirmou que seu braço direito na época era Forte, então secretário executivo. Afirmou que, na sua gestão, 23 ONGs foram descredenciadas e vários convênios com prefeituras foram refeitos.

Lustosa mandou um recado ao ministro da Saúde: é preciso investigar convênios feitos para a saúde indígena na atual gestão.

- O ministro deveria aprofundar o foco na gestão da saúde indígena. O foco na TV Funasa é tirar o sofá da sala. Pode investigar, mas vamos ver o que houve na saúde indígena. Os mais de 9 mil convênios com prefeituras, com ONGs, para onde vão 70%, 80% dos recursos da Funasa - disse Lustosa.

O atual presidente da Funasa, Francisco Danilo Forte, secretário executivo na gestão de Lustosa, contesta seu antigo chefe e diz, por intermédio da assessoria, que não era responsável por convênios e muito menos por liberação de verbas. Forte afirma que não é citado em relatórios de órgãos de controle internos ou externos e que como secretário não tinha delegação para atos dessa natureza.

"A responsável por convênios é a Coordenação Geral de Convênios (CGCON) do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (Depin). A liberação de recursos é atribuição desses órgãos", informa a assessoria.

De acordo com a assessoria, os convênios só têm execução orçamentária empenhada depois que as prefeituras apresentam plano de trabalho. "Danilo Forte, então diretor executivo da Funasa, não é citado em nenhum relatório de órgãos de controle interno e externo. Não existem assinaturas autorizando pagamentos. O dirigente não tinha delegação de competência para praticar atos de presidente quando estava em pleno exercício do cargo", informa a nota ao GLOBO. A assessoria informou que a auditoria interna da Funasa realizou 157 trabalhos em 2007, sob a presidência de Francisco Danilo Forte. Para 2008 estão previstas outras 192, tendo sido realizadas até agora 149.