Título: Oposição japonesa obstrui votação de pacote de ajuda
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Fonte: O Globo, 19/11/2008, Tema do Dia, p. A6

A oposição japonesa obstruiu votações parlamentares, inclusive sobre um pacote de auxílio aos bancos, como parte de seus esforços para antecipar as eleições - uma estratégia que ameaça paralisar ainda mais uma economia que já está em recessão.

O projeto financeiro afetado visa a injetar dinheiro público em bancos, especialmente os regionais, para melhorar a oferta de crédito para micro e pequenas empresas. Outro projeto obstruído diz respeito à prorrogação das operações navais japonesas de apoio aos Estados Unidos no Afeganistão, cujo mandato expira em janeiro. A eventual suspensão das operações pode gerar um começo turbulento nas relações com o governo de Barack Obama nos EUA.

O primeiro-ministro Taro Aso disse a jornalistas anteontem que, diante da importância dos dois projetos, pode ser necessário adiar o recesso parlamentar, caso a oposição mantenha sua intransigência.

O Partido Democrático, o maior da oposição no Japão, recusa-se a votar a prorrogação da missão naval e o pacote bancário no Senado, segundo relatos da imprensa e de dirigentes governistas.

O PD controla o Senado em aliança com pequenos partidos. A não-prorrogação da missão naval pode criar atritos com o novo governo dos EUA, que toma posse em 20 de janeiro. Já o pacote financeiro seria importante para dar confiança aos bancos regionais e aos seus pequenos clientes empresariais.

¿ No Japão, os grandes bancos não estão realmente com problemas, então não se trata da economia em geral ¿ disse o economista Martin Schulz, do Instituto de Pesquisas Fujitsu. ¿ Mas é muito possível que algumas economias regionais tenham problema, e as injeções seriam muito importantes para estabilizar as regiões.

As bolsas da Ásia fecharam em queda ontem afetadas pelo anúncio de recessão da economia japonesa, anteontem, e pela falta de resultados concretos na reunião do G-20 no último fim de semana. O governo japonês confirmou o desaquecimento de sua economia após uma contração do PIB (Produto Interno Bruto) entre julho e setembro de 0,4% em termos reais, a segunda redução trimestral consecutiva depois dos 3% entre abril e junho, e afirmou que a recessão do país pode se manter até 2010. A Bolsa de Tóquio perdeu 2,06%, fechando com 8.328,41 pontos no índice Nikkei 225; a Bolsa de Xangai (China) fechou com uma forte baixa de 6,31%, aos 1.902,43 pontos; o índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, fechou em baixa de 4,54%, indo para 12.915,89 pontos; e o índice Kospi, da Bolsa de Seul (Coréia do Sul), fechou em baixa de 3,91%, aos 1.036,16 pontos.

Ontem, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, disse que não pretende continuar a liberação dos US$ 700 bilhões para estabilizar o sistema financeiro até que o novo presidente dos EUA, Barack Obama, assuma o cargo, em 20 de janeiro. Segundo entrevista publicada no The Wall Street Journal, Paulson afirmou que vai "fazer o que devemos fazer para manter um sistema forte, mas não vou procurar comprometer novas coisas, a menos que elas sejam necessárias, a menos que tenham um grande sentido".