Título: Paulson vê demora na recuperação
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Fonte: O Globo, 19/11/2008, Tema do Dia, p. A6

Secretário do Tesouro americano diz que estabilização econômica levará "tempo considerável".

Um dia depois de anunciar que vai reter os US$ 700 bilhões aprovados pelo Congresso americano para tentar debelar as consequências da crise financeira internacional até a posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, em 20 de janeiro de 2009, o secretário do Tesouro do país, Henry Paulson, fez novas declarações pessimistas.

Em discurso em uma conferência organizada pelo jornal The Wall Street Journal, ontem, nos EUA, Paulson, embora tenha reconhecido alguns sólidos progressos na estabilização do sistema financeiro do país, disse que levará "um tempo considerável" para que a economia global torne-se novamente saudável.

¿ Em termos de onde nós precisamos estar, no primeiro caso nós estávamos lidando com eventos sistêmicos... Nós temos muito trabalho para fazer até restaurar o sistema financeiro, e eu acho que restaurar o sistema financeiro será um grande avanço na direção de ajudar a economia a se recuperar ¿ disse Paulson para a platéia da conferência.

No mesmo evento, o ex-secretário Lawrence Summers afirmou sentir que a economia precisará de um estímulo "rápido, substancial e sustentado" durante anos para se recuperar plenamente.

Inflação americana

Ontem, os americanos receberam a notícia de que o PPI (índice de preços no atacado) apontou deflação de 2,8% em outubro nos Estados Unidos, no terceiro mês consecutivo de variação negativa desse indicador.

Em setembro, o mesmo índice já havia registrado deflação, mas de 0,4%. A queda foi puxada principalmente no retração nos preços de energia, que caíram 12,8% em outubro ante uma retração de 2,9% em setembro.

Segundo o Departamento de Trabalho americano, responsável pela divulgação, trata-se do maior declínio num mês em mais de 60 anos. Economistas do setor financeiro estimavam uma deflação em torno de 1,8%.

Variação

O chamado "núcleo" do índice, que exclui do cálculo os preços de energia e alimentos, apontou uma variação de 0,4%. O mercado financeiro projetava uma variação em torno de 0,1%. Os preços dos bens intermediários tiveram uma deflação de 3,9% em outubro ante um declínio de 1,2% em setembro.

Já no setor de produtos não refinados, a deflação foi de 18,6% em outubro ante uma queda de 7,9% no mês imediatamente anterior.

Os preços dos produtos industrializados tiveram uma deflação de 2,8% em outubro contra uma retração de 0,4% em setembro.