Título: Um presidente pragmático e progressivo
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 26/11/2008, O Mundo, p. 29

O presidente eleito Barack Obama deixou três pontos claros sobre seus planos para a economia: deseja que suas ações sejam grandes e audaciosas; vê a recuperação econômica intimamente ligada à reforma econômica e social; e está trazendo uma rede de cérebros dotados para fazerem o trabalho.

Três semanas após a eleição, ele expandiu sua autoridade ao atacar ¿uma crise econômica de proporções históricas¿, como chamou na segunda-feira, ao defender um pacote de estímulo que diminui qualquer coisa já tentada pelo governo federal.

Obama está usando a crise para advogar por reformas estruturais em saúde, energia e educação. Vê o revés econômico não como impedimento para o programa que apresentou na campanha, mas como oportunidade para uma volta sem precedentes na legislação social.

¿ Ele sente que não são apenas medidas de curto prazo, mas um reaparelhamento a longo prazo da economia americana ¿ disse um assessor. ¿ Ele tem uma visão holística da economia. A saúde será parte dela.

Ter Timothy Geithner e o ex-secretário do Tesouro Larry Summers trabalhando sob controle é uma grande vitória pós-eleitoral de Obama.

Quem conhece Summers, um homem de grande personalidade, ficou surpreso ao saber que aceitara um trabalho interno na Casa Branca como assessor econômico e que aceitara a nomeação de Geithner, o presidente do Banco Central de Nova York, como secretário do Tesouro.

Mas assessores de Obama deixaram claro que caberá a Summers um papel maior em modelar a política econômica e que seu posto o deixará livre das responsabilidades diárias do Departamento do Tesouro ¿ deveres que cabem bem a Geithner, visto como bom administrador e um diplomata econômico, capaz de conseguir cooperação internacional.

O assessor de Obama disse que o presidente eleito foi beneficiado pelo desejo de Summers de estar no centro da ação durante a maior crise econômica desde a Grande Depressão.

A escolha de uma equipe de pragmáticos altamente capazes já foi descrita como um movimento para o centro, mas assessores dizem que essa é uma leitura errada. Eles a descrevem como uma combinação de viabilidade com a preocupação sobre os efeitos corrosivos das ineficiência econômicas.

Washington freqüentemente divide a política entre progressivos e pragmáticos. Com Obama terá que se acostumar com um presidente que é os dois.

E. J. DIONNE JR. é colunista do Washington Post