Título: Para Minc, dados do Inpe mostram estabilidade
Autor: Alencastro,Catarina
Fonte: O Globo, 29/11/2008, O País, p. 4
TRAGÉDIA SOB ÁGUAS
Desmatamento caiu 23% em cinco meses, diz ministro
Catarina Alencastro
BRASÍLIA. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, minimizou ontem o resultado de levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mostrou aumento de 3,8% na taxa de desmatamento. Para Minc, o incremento significa, na verdade, a estabilidade do problema. Ele admitiu insatisfação com o dado, mas comemorou o fato de que, nos últimos cinco meses, houve uma queda de 23% no desmatamento. Minc reforçou ainda que em julho houve uma redução de 80% do desmatamento médio registrado nos três últimos anos.
- Foram tomadas diversas medidas, que levaram, sobretudo os meses piores (maio, junho, julho), a terem uma queda acentuada e, por isso, o Prodes (Programa de Monitoramento do Desmatamento) praticamente estabilizou, tendo um aumento de 3,8% - afirmou o ministro. - Qualquer aumento é ruim, só que a expectativa era de um aumento de 30-40%, e, por causa da redução dos últimos meses, beirou a estabilidade. E mais, os dados dos últimos cinco meses do Inpe revelam uma queda de 23%.
Para Minc, os índices registrados este ano invertem a tendência de alta do desmatamento:
- Ainda estamos insatisfeitos, queremos desmatamento zero, mas os dados indicam que passamos de um viés de alta para um viés de baixa.
Segundo ele, a resolução do Banco Central de julho deste ano, que cortou o crédito para os agricultores que estavam ilegais, impactou nesse resultado. O número de agricultores que procuraram se regularizar depois da resolução, diz o ministro, dobrou. Minc também comemorou o fato de o desmatamento ter caído nos 36 municípios campeões do desmatamento. Dos 20 piores, 18 reduziram o desmatamento e apenas Novo Repartimento (PA) e Juara (MT) aumentaram.
Lula quer estimular ação de prefeitos na Amazônia
Minc contou que o presidente Lula quer se reunir com os novos prefeitos dessas 36 cidades da Amazônia Legal para estimulá-los a implementar políticas de manejo sustentável e de regularização ambiental.
O ministro reafirmou que pretende, até 2009, criar mais seis portais de controle na Amazônia. Hoje já existem dois: um na BR 364, e outro na BR 163. Os postos de fiscalização, que atuam para barrar o transporte de madeira ilegal, são uma das ações apontadas como responsáveis pelo relativamente baixo aumento do desmatamento.
Para o coordenador de pesquisa do Greenpeace, Marcelo Marquesini, no entanto, não há motivos para comemorações:
- O desmatamento está voltando a aumentar. Estamos falando de 12.000 km2 desmatados, cerca de um milhão de hectares. Num cenário de aquecimento global, vamos comemorar o quê?- questiona o pesquisador, afirmando ainda que o governo tenta se distanciar dos dados, quando há estes não são muito positivos.
- A torcida é para baixar o desmatamento, mas a realidade é que aumentou. O problema não é o aumento milimétrico é o declínio que não existiu - pondera Márcio Astrini, da Campanha Amazônia do Greenpeace.