Título: Cunha Lima dá reajuste a servidores
Autor: Éboli,Evandro
Fonte: O Globo, 29/11/2008, O País, p. 14

Governador cassado da PB aumenta em R$7,5 milhões folha do estado

Evandro Éboli

JOÃO PESSOA. Com sua permanência no cargo garantida pelo menos até o fim do julgamento da ação na Justiça Eleitoral, sem prazo previsto, o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), comemorou discretamente a nova chance e sancionou ontem os reajustes do funcionalismo público, que irão onerar em R$7,5 milhões a folha de pagamento do estado em 2009. Esses são os projetos que o Executivo enviou à Assembléia Legislativa e que foram aprovados em sessões relâmpagos na última segunda-feira, depois que o tribunal Superior Eleitoral havia cassado o mandato do governador.

Indignado, o senador José Maranhão (PMDB), que pode herdar o cargo se confirmada a cassação, teve de adiar a renúncia do mandato no Senado. Ele afirmou que irá rever esses atos e, se preciso, irá a Justiça impedir o que chamou de "sangria dos cofres públicos".

Entre as categorias que receberão aumento estão 150 procuradores do estado, cujo salário inicial saltará de R$4 mil para R$8 mil; 54 auditores da Controladoria do Estado, com vencimentos que pulam de R$4,7 mil para R$6,7 mil; e 580 jornalistas, com remuneração que sai de R$500 e vai para R$810.

Governador diz que impacto nas contas será mínimo

O governador evitou euforia com a reviravolta do caso e não participou de carreatas em João Pessoa. Ele chegou de Brasília na noite de anteontem e seguiu direto para sua residência. Cunha Lima rebateu as acusações do opositor e afirmou que há dinheiro no caixa suficiente para pagar esses reajustes, por ter conseguido sanar as contas públicas do estado e tirado o caixa de um déficit de R$30 milhões para um superávit de R$300 milhões.

- O impacto desses reajustes na folha de pessoal será quase imperceptível, de apenas 0,4%. Nós reduzimos de 59% para 51% o gasto do pessoal este ano. O estado está com suas finanças equilibradas, o que está permitindo a melhoria da qualidade de vida. Não enviamos projetos a toque de caixa, como estão falando. Esses aumentos estavam previstos - disse Cássio Cunha Lima.

Maranhão afirmou não ter dúvida que Cunha Lima enviou às pressas os projetos, após a decisão do TSE que tirou o tucano do cargo, para prejudicar sua possível futura gestão:

- Foi um ato autoritário e com o único objetivo de criar despesa indevida pro Estado e prejudicar meu governo. Ele quer me jogar contra o povo.

O senador anunciou que não irá recorrer da decisão do TSE que beneficiou Cunha Lima. Ele considera que um recurso, agora, iria atrasar ainda mais o processo e retardar seu possível retorno ao Palácio da Redenção.

- Recorrer agora seria burrice. Só iríamos jogar a decisão final mais lá prá frente. Vamos aguardar - disse Maranhão.

Cunha Lima disse estar sereno e tranquilo e afirmou que terá tempo para provar que foi cassado por um ato que não cometeu. Ele foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral de abuso de poder político e econômico ao distribuir 35 mil cheques para a população em 2006, próximo ao período eleitoral.

- Vou ter mais uma oportunidade de provar que as condutas a mim atribuídas não foram praticadas. E que não sou um governador irresponsável e perdulário como estão me pintando para o Brasil.