Título: União só investiu 8% do previsto contra desastres
Autor: Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 30/11/2008, O País, p. 9
TRAGÉDIA SOB AS ÁGUAS: Ministério da Integração Nacional culpa eleições municipais e novas regras de convênios
Índice se repete desde 2003; além de salvar vidas, investimento reduziria gastos pós-catástrofe em até oito vezes
BRASÍLIA. O governo tem negligenciado investimentos em obras de prevenção a desastres, o que poderia atenuar os efeitos de enchentes como as ocorridas em Santa Catarina. A Defesa Civil estima que, além de salvar vidas, esse tipo de investimento reduz em até oito vezes os gastos pós-catástrofe, mas o padrão de gastos continua focado no socorro e na recuperação. Este ano, de toda a verba destinada a obras de prevenção de secas, enchentes, incêndios e outras emergências, o governo só gastou 8% do previsto, percentual que se repete desde 2003.
O Ministério da Integração Nacional culpa as eleições municipais e as novas regras para assinatura de convênios pela baixa execução do orçamento deste ano para prevenção de desastres. Até este mês, R$49 milhões foram investidos em construções de galerias pluviais, drenagem, muros de contenção de encostas, barragens e realocação de famílias. O total orçado para este ano é de R$603 milhões, já incluídos os R$234 milhões adicionais da MP assinada pelo presidente Lula quinta-feira.
Este foi o ano da gestão Lula em que mais se investiu em termos absolutos. Em 2003 e 2005, nenhum centavo foi pago para esse tipo de obra. Em 2004, 2006 e 2007 somados, as obras preventivas consumiram R$30 milhões, segundo levantamento no Siafi realizado pela assessoria de orçamento da liderança do DEM.