Título: Cobrado por Lula, BB anuncia redução de juros
Autor: Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 27/11/2008, Economia, p. 27

Corte vale para empresas e pessoas físicas. Caixa também fará alteração de taxas e prazos de financiamento.

BRASÍLIA. Seguindo determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou dos bancos públicos na semana passada explicação para a alta dos spreads (diferença entre o custo de captação do dinheiro e o valor cobrado na ponta do tomador), o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem corte de juros em várias modalidades de crédito. A Caixa Econômica Federal fará o mesmo na próxima terça-feira, quando reduzirá taxas para micro e pequenas empresas e alongará os prazos nas linhas para pessoas físicas.

No caso do BB, foram beneficiadas pessoas físicas e jurídicas e exportadores. O vice-presidente de Finanças da instituição, Aldo Luiz Mendes, admitiu que as taxas estavam elevadas, sob o argumento de que elas haviam sido estipuladas durante o agravamento da crise, quando era aguda a escassez e o risco do crédito.

O corte agora, segundo ele, decorre de mudanças no funcionamento do mercado. "Tomadores importantes" estariam se recusando a pagar os juros oferecidos pelo banco.

- Entendemos que a elevação dos juros em setembro e outubro tinha justificativa naquele momento. Mas o atual (momento) é diferente - afirmou Mendes, que nega ter conhecimento de que houve determinação de Lula para redução de tarifas.

Além de cortar as taxas do cheque especial e do consignado (ainda não informadas), o BB reduziu os juros do cartão de crédito no rotativo de 4,23% ao mês para 3,79% (taxa mínima). Nas compras parceladas, a taxa caiu de 4,99% para 2,92%.

Para as empresas, houve redução nas linhas de desconto de duplicatas e cheques, de 1,95% para 1,70% e de 2,32% para 1,98%, respectivamente. Já na conta garantida (cheque especial), a tarifa caiu de 2,62% para 2,25%.

Caixa vai elevar prazos para microempresas

O vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Márcio Percival, disse que a instituição também vai cortar os juros e aumentar os prazos de financiamento para micro e pequenas empresas (operações que respondem por 70% dos financiamentos à pessoa jurídica). Para manter o spread, explicou ele, o banco decidiu adotar novas medidas para tentar reduzir as despesas administrativas.

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