Título: Lula diz que conta da crise é 'muito alta' e a reconstrução será árdua
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Fonte: O Globo, 01/12/2008, Economia, p. 20
China alerta para aprofundamento da crise. Reino Unido estuda adotar euro.
MADRI, PEQUIM e VARSÓVIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em artigo no jornal espanhol "El País" que a "conta (da crise financeira) a ser paga por causa do descontrole especulativo é muito alta" e que os "trabalhos de reconstrução serão árduos". Já o presidente da China, Hu Jintao, alertou que a competitividade e a força comercial de seu país estão ameaçadas por uma decadência prolongada da economia global.
No artigo, Lula afirmou que "as respostas aos desafios atuais não podem vir de especialistas que durante três décadas aplicaram as receitas que nos levaram ao atual colapso da economia mundial".
- O que precisamos são outros conselhos, de homens e mulheres com sensibilidade social, preocupados com a produção, o emprego e uma ordem global mais equilibrada e democrática - disse Lula.
O alerta do presidente chinês ocorreu em uma reunião do Politburo, o conselho de elite do Partido Comunista, no sábado, segundo a agência Xinhua.
- Vamos combater frontalmente os efeitos do aprofundamento prolongado da crise financeira internacional e da pressão diante da desaceleração clara do crescimento econômico - disse Jintao, para quem a desaceleração está "claramente reduzindo a demanda externa e exercendo pressão para enfraquecer as vantagens competitivas tradicionais da China".
E o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem, em Doha, que a ajuda ao desenvolvimento não deve ser vista apenas como obrigação moral, mas como a "resposta correta para manter a economia funcionando" na atual crise, ao participar da Conferência Internacional sobre Financiamento para Desenvolvimento da ONU.
Plano da Polônia terá US$30 bilhões
Já a Polônia, maior economia do Leste da Europa, anunciou ontem plano de US$30,1 bilhões para enfrentar a crise. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços de um país) da Polônia em 2009 foi revista de 4,8% para 3,7%.
Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel assegurou que o governo não liberará mais recursos para a economia, apesar do pedido da Comissão Européia na última semana, em entrevista no "Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung".
O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse em entrevista a uma rádio francesa que alguns políticos do Reino Unido estariam considerando entrar para zona do euro.
- Não quero dizer que isso ocorrerá amanhã, eu sei que a maioria ainda se opõe, mas existe um período de consideração a caminho.
Há uma avaliação, segundo Durão Barroso, de que a economia britânica estaria em uma situação melhor se tivesse adotado o euro, como fez a maioria dos países da União Européia.