Título: Presidente assina plano para reduzir gás carbônico
Autor: Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 02/12/2008, O País, p. 9

TRAGÉDIA SOB AS ÁGUAS: Desmatamento terá que diminuir.

Meta é equivalente a três protocolos de Kioto, diz Minc.

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que estabelece metas ambiciosas de redução da emissão de gás carbônico no país, como O GLOBO antecipou no sábado passado. A principal é a redução escalonada do desmatamento na Amazônia até 2017, com o objetivo de evitar a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de gás carbônico, uma queda de 72% do nível hoje registrado. Para isso, em 2009 o índice de desmatamento terá de cair para 9.200 quilômetros quadrados. Neste ano, o desflorestamento na Amazônia foi de 11.900 quilômetros quadrados.

O plano será apresentado pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, na Polônia, que começou ontem e vai até o dia 12. Pela primeira vez, o governo estabeleceu uma meta numérica de redução do desmatamento. O primeiro passo é uma redução de 40% entre 2006 e 2009, considerando a média registrada entre 1996 e 2006, de 19.000 quilômetros quadrados de desflorestamento. No quadriênio seguinte, a meta é diminuir em 30% o desmatamento, em relação ao período anterior. Depois, entre 2014 e 2017, novamente a meta será menos 30% em relação ao quadriênio anterior.

Minc disse que a maior contribuição do plano para a diminuição da emissão de gás carbônico é a meta, que, calculou, representa "três Kiotos" - referência ao protocolo de Kioto assinado pelos países para reduzir o aquecimento global:

- Em dez anos, vamos reduzir as emissões em 4,8 bilhões de toneladas, mais do que o esforço dos países desenvolvidos.

Plano prevê reciclagem de lixo e troca de geladeiras

Segundo ele, o plano - que prevê ainda combate ao desperdício de energia, com substituição de chuveiros elétricos por aquecimento solar, troca de 1 milhão de geladeiras antigas, reciclagem de lixo urbano e incentivo aos biocombustíveis - será revisado em 2010, após novo inventário da emissão de gás carbônico. Para Minc, a redução do desmatamento depende de ações para acelerar a regularização fundiária na região e a criação do fundo da Amazônia, que já tem o apoio da Noruega, que investirá US$1 bilhão até 2015.

Integrante da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi disse que o plano é "um grande mérito" do governo, mas criticou:

- Não me parece razoável que o plano não trate do desperdício de energia, de cerca de 20%, no momento da emissão. Também não é razoável que o cerrado esteja fora (da meta de desmatamento).

Lula sugeriu a Minc que prepare um documento mostrando a responsabilidade dos países do G-20 (grupo de nações desenvolvidas e emergentes) na emissão de gás carbônico para embasar os próximos debates. O presidente disse que Minc deve reunir os prefeitos dos 32 municípios que mais desmatam a Amazônia e os governadores dos estados para definir ações conjuntas.

COLABOROU Catarina Alencastro