Título: BNDES fala em ajuda transitória
Autor: Duarte, Patrícia; D'Ercole, Ronaldo
Fonte: O Globo, 02/12/2008, Economia, p. 25

Antes mesmo de entrar em vigor, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, já antecipou que a nova linha de crédito de capital de giro lançada ontem para as pequenas e médias empresas é "uma política transitória". O Programa Especial de Crédito (PEC) tem por objetivo prover liquidez ao mercado, neste momento de escassez de crédito provocada pela crise global. São R$6 bilhões em carteira e o teto de financiamento é de 20% da receita operacional bruta da empresa em 2007, até o limite máximo de R$50 milhões. O prazo da nova linha vai até 30 de junho de 2009.

O banco terá ainda outros R$4 bilhões em caixa, desta vez para liberar em forma de empréstimos-ponte e linhas de financiamento de pré-embarque a exportadoras que tiveram perdas com derivativos cambiais. Para ter acesso aos recursos, é necessário estar em dia com a quitação de outros créditos.

Segundo Coutinho, a partir da próxima semana, os financiamentos estarão disponíveis nos bancos. O PEC é destinado ao comércio, indústria e serviço. Só construção civil não foi beneficiado, porque já foi socorrido, em outubro último, com R$3 bilhões da Caixa Econômica Federal. Ele admitiu que o PEC só foi possível porque o Banco Central autorizou o repasse de parte do compulsório para o BNDES. O prazo de carência é de cinco meses e o limite para amortização é de 13 meses.

- Esta linha não será eficiente se demorar de três a quatro meses para ser liberada. Seu acesso na rede bancária será rápido, num prazo de duas semanas - disse ele, comentando que o empréstimo terá taxa de juros de 20,05%, contra 35% a 40% no resto do mercado.