Título: Lula afirma que taxa de juros está acima do que indica o bom senso
Autor: Gois, Chico de; Lins, Letícia
Fonte: O Globo, 03/12/2008, Economia, p. 22

Presidente cobra pressa para PAC. Dilma diz que recursos vão a R$1,1 tri.

RECIFE. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou ontem, publicamente, dos juros praticados no Brasil, afirmando que estão muito acima do que o bom senso recomenda. Ele, no entanto, não especificou se a crítica se dirigia apenas ao sistema financeiro - do qual voltou a se queixar, devido ao travamento do crédito - ou se era estendida também ao Banco Central (BC), que fixa a taxa Selic, de 13,75% ao ano, uma das mais elevadas do mundo.

- Estamos colocando recursos para fomentar o crédito. Só que esse crédito ainda não tem chegado na ponta do jeito que gostaríamos que chegasse - afirmou. - Depois, obviamente, todo mundo sabe que temos uma taxa de juros acima daquilo que o bom senso indica que deveríamos ter.

O presidente participou do IX Fórum dos Governadores do Nordeste, ao qual compareceram, além dos nove representantes da região, Aécio Neves (Minas Gerais) e Paulo Hartung (Espírito Santo).

Lula também pediu aos mandatários da região que, para desatar eventuais amarras que impeçam a aceleração dos projetos, passem um "pente-fino" nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - que reúne atualmente mais de R$1 trilhão em investimentos, segundo a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

- Precisamos desvendar todo e qualquer segredo que tiver na dificuldade de uma obra do PAC e tocar essa obra o mais rapidamente possível. Precisamos fazer uma operação pente-fino. Qual o problema que está acontecendo para a obra não andar? - propôs.

Lula afirmou que os Estados têm mais capacidade de endividamento e, por isso, é hora de investir. Garantiu ainda que não cortará investimentos da Petrobras.

Até 2010, PAC terá mais R$634 bilhões

Em apresentação aos governadores, Dilma Rousseff refez as contas do PAC e disse que o governo irá aplicar, até 2010, com a inclusão de novas obras, R$634 bilhões, o que representa uma alta de 26% frente aos R$503,8 bilhões previstos na época do lançamento, em 2007.

Depois de 2010, havia a previsão de aplicação de R$182 bilhões, por conta da continuidade de obras. Agora, a nova conta aponta para R$474 bilhões - uma expansão de 151%. Somados, os recursos destinados ao programa chegam a R$1,108 trilhão.

O presidente voltou a demonstrar preocupação com o efeito que a crise desperta na população. O assunto ganhará destaque na propaganda do governo federal que será veiculada a partir da próxima semana.

(*) Enviado especial