Título: Para Mantega, retração não será bruta
Autor: Batista, Henrique Gomes; Barbosa, Flávia
Fonte: O Globo, 03/12/2008, Economia, p. 22
Fazenda mantém projeções para PIB. Paulo Bernardo vê espaço para cortar juros.
BRASÍLIA. O governo minimizou ontem o resultado da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Para ministros da área econômica, a queda era esperada e não inviabiliza que o Brasil alcance no próximo ano expansão de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) - o que seria desaceleração modesta sobre os cerca de 5% que crescerá em 2008.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o resultado, esperado, deve se repetir nos próximos meses:
- A partir de outubro tivemos problemas da crise financeira internacional, ela diminuiu o crédito, trouxe alguns problemas para o Brasil. É natural que nos meses de outubro, novembro e dezembro haja uma desaceleração da economia brasileira, isso era previsto. Porém, será uma desaceleração lenta, não será uma desaceleração bruta, como ocorre nos EUA.
Mantega disse não acreditar que a economia brasileira crescerá menos que 3% em 2009, como apontou a pesquisa semanal Focus do Banco Central. A Fazenda mantém a projeção de 4% em 2009.
Paulo Bernardo: "Vamos arregaçar as mangas"
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ponderou ainda que haverá estímulo ao setor produtivo. Para ele, existirá espaço para o BC cortar juros.
- Evidentemente, o Banco Central vai avaliar o corte de juros. Acho até que vai ter espaço para isso, não sei quando. O problema é o seguinte: o BC tem que olhar a inflação e a atividade. Tenho certeza de que eles vão olhar tudo isso.
Outros estímulos serão fiscais. Paulo Bernardo citou que o governo terá uma poupança (Fundo Soberano) em 2009 que pode ser usada, embora não seja a intenção.
- Vamos arregaçar as mangas e fazer dar 4% (de crescimento do PIB).
Para o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, os dados não foram "nenhuma surpresa":
- É uma queda (1,7%) grande, mas em cima de um crescimento fora do normal.
O Ministério da Fazenda já admite que o Produto Interno Bruto (PIB) será afetado no quarto trimestre pelo travamento do crédito e suspensão temporária de investimentos. O impacto será suficiente para "comer" 0,2 ou 0,3 ponto percentual da taxa de expansão econômica este ano. Assim, o crescimento de 2008 deverá ser de 5%, avalia o ministério. O mercado ainda prevê 5,24% e o governo projetava 5,3% anteriormente.
A equipe econômica estima que, no último trimestre, o ritmo do setor produtivo caia de um aumento de 5,1% entre julho e setembro para 4% - a indústria sendo o principal motor da desaceleração. O primeiro semestre encerrou com alta de 6%.
A aposta oficial para 2009 está mantida em 4%. A equipe econômica justifica os cálculos, primeiramente, com efeito estatístico: o biênio 2007-2008 deixa de herança para 2009 variação de 1,7%. Além disso, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os investimentos das estatais (especialmente da Petrobras) se encarregarão de mais 0,8%. Ou seja: a base para o PIB de 2009 seria de 2,5%.