Título: PT anuncia apoio a proposta que põe fim ao fator previdenciário
Autor: Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 04/12/2008, O País, p. 3
Partido quer criar outro critério para o cálculo da aposentadoria.
BRASÍLIA. O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), disse ontem que o partido vai apoiar a proposta de emenda constitucional que acaba com o fator previdenciário como forma de cálculo das aposentadorias, desde que haja a substituição desse sistema por outro critério. O projeto, aprovado pelo Senado, é de autoria do senador petista Paulo Paim (RS) e foi duramente combatido pelo governo.
Rands afirmou que uma das propostas em discussão é a fixação de uma idade mínima para a aposentadoria. O petista disse que o partido também é a favor da instituição de um reajuste maior do benefício para os aposentados que ganham acima do piso previdenciário. No entanto, o líder argumentou que a primeira mudança deve ser feita junto com o estabelecimento de idade mínima para aposentadoria.
- A bancada do PT apóia a reivindicação de querer acabar com o fator previdenciário, mas vamos ter que substituí-lo (por outro critério) - afirmou o líder do PT.
O relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara também é um petista, o deputado Pepe Vargas (RS). Ele já declarou que negocia uma alternativa ao projeto de Paim.
As centrais sindicais, que foram ontem a Brasília em marcha que tinha como uma das reivindicações mudanças na Previdência Social, têm hoje reunião com o ministro José Pimentel (Previdência). Os sindicalistas informaram que defenderão o fim do fator previdenciário, mas sem qualquer instituição de idade mínima.
Sindicalistas não querem reforma
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, criticou a proposta do governo de estabelecer idade mínima para aposentadoria da iniciativa privada, como acontece com o funcionalismo público.
- Em meio a essa crise econômica, não é hora de se falar em reforma da Previdência nem em reforma trabalhista - disse Henrique.
Os sindicalistas entregaram ao ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) a pauta de reivindicações da marcha, e insistiram numa reunião com as direções do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do BNDES. O movimento sindical quer condicionar a liberação de crédito para as empresas privadas à garantia da manutenção dos empregos.
- Demissão não tem nada de psicológico. Foram 1.300 demissões na Vale, uma empresa que recebe financiamento do BNDES e tem a Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) como acionista. Essa postura não combina com o discurso do presidente Lula, que quer que o trabalhador volte a consumir. Como alguém vai consumir se não tem garantia de emprego? - argumentou o presidente da CUT.