Título: Presidente diz que Farc devem apostar na democracia
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 06/12/2008, O Mundo, p. 48

Segundo Ingrid, guerrilha perdeu trânsito com a esquerda do continente.

SÃO PAULO. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as Farc deveriam se espelhar no exemplo de outros movimentos de esquerda no continente que chegaram ao poder pela via democrática:

- Se os militantes das Farc acompanharem as notícias vão perceber o seguinte: pegue o continente americano. Como é que um operário metalúrgico pode chegar a ser presidente da República da oitava economia do mundo? Como é que pode um índio ter virado presidente da Bolívia, se não pela via democrática? A grande chance que as Farc têm de um dia governar a Colômbia é acreditar na democracia, é acreditar na militância política, é fazer o jogo democrático como nós fizemos aqui.

Ex-senadora vai escrever livro sobre o cativeiro

A ex-senadora foi diplomática e defendeu o governo brasileiro até quando perguntada sobre temas polêmicos como o fato de o Brasil não reconhecer as Farc como grupo terrorista e as ligações do PT com a guerrilha. Segundo ela, desde que as Farc se associaram ao narcotráfico, perderam o trânsito entre a esquerda latino-americana.

Ingrid pretende tirar seis meses para escrever um livro sobre a experiência de sete anos em poder das Farc no meio da floresta amazônica.

De acordo com ela, a guerrilha vive hoje sua pior fase com a morte de líderes importantes e a desmobilização de boa parte da base. Isso faz com que as condições de vida no cativeiro se deteriorem.

- Meus companheiros seqüestrados estão sofrendo e provavelmente em condições muito mais difíceis que as minhas. Provavelmente sem muita comida, provavelmente nus para que se dificulte a fuga. Temos que lembrar que este foi um ano negro para as Farc - disse ela.

Dizendo estar esperançosa de que este seja o último Natal que os seqüestrados passam longe de casa, Ingrid disse que as Farc estão em uma encruzilhada.

- Para as Farc há duas alternativas. regenerar-se ou morrer.

Perguntada sobre a época no cativeiro e a possibilidade de diálogo com a guerrilha, ela respondeu:

-Tenho uma certeza. Em momento algum as Farc quiseram me libertar. (R.G.)