Título: Para Ingrid, ajuda de Lula foi discreta e efetiva
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 06/12/2008, O Mundo, p. 48

Ex-senadora colombiana seqüestrada pelas Farc diz que trânsito de presidente com outros governantes facilitou negociações.

SÃO PAULO. A ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt classificou como extraordinária a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações que levaram à sua libertação. Segundo Ingrid, que esteve em São Paulo ontem para uma visita ao presidente, o equilíbrio com que Lula, a quem chamou de irmão, tem conduzido a política externa brasileira faz com que ele tenha com trânsito com todos os governantes do continente, facilitando as negociações.

- O presidente Lula fez muitíssimo pela minha liberdade. E o fez de maneira discreta. Muitas vezes em silêncio. Muitas vezes no anonimato, em situações difíceis, se aproximando do presidente colombiano e dizendo: temos que encontrar uma solução. E sempre o fez de maneira discreta, mas muito efetiva- afirmou a ex-senadora.

Ingrid nega ser candidata à Presidência

De acordo com ela, Lula foi um dos primeiros governantes a falar abertamente sobre o problema dos seqüestros promovidos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), enquanto o assunto era considerado um tabu no país.

- Durante muitos anos este foi um tema politicamente incorreto. Era um tema que não se queria tratar nem por sobre a mesa, sobretudo porque se pensava que, quando se falava dos seqüestrados, dava-se publicidade às Farcs. Era uma atitude antipatriótica. Pensava-se que quando se falava nos seqüestrados, se falava contra a Colômbia. Mas o presidente Lula sempre falou.

O presidente, por sua vez, classificou a libertação de Ingrid como uma "conquista da humanidade". Segundo ele, qualquer contribuição do Brasil para o fim do confronto de décadas entre o governo colombiano e as Farc passa necessariamente pela libertação dos seqüestrados em poder da narcoguerrilha.

No encontro, a ex-senadora negou de maneira enfática que pretenda se candidatar à Presidência ou a qualquer outro cargo eletivo na Colômbia.

- Uma das coisas boas da liberdade é poder escolher o que fazer. Não sei o que quero, mas tenho certeza de que não quero ser uma política colombiana- disse Ingrid.