Título: Palavra chula volta ao discurso de Lula
Autor: Ribeiro, Erica; D'Ercole, Ronaldo
Fonte: O Globo, 09/12/2008, Economia, p. 25

Natal será um dos melhores, diz presidente.

BRASÍLIA. Depois de ser banida da transcrição oficial de discurso feito pelo presidente Lula na quinta-feira passada sobre a crise, a expressão "sifu" voltou em dose dupla ontem. Sua exclusão foi "desculpada" oficialmente pela Secretaria de Imprensa da Presidência e a palavra voltou ao discurso no site da Presidência da República. Ontem, a assessoria do Palácio do Planalto chamou jornalistas para esclarecer que não houve intenção de censurar a fala presidencial.

De acordo com a assessoria, a retirada do "sifu" - expressão de baixo calão -, ocorreu por erro e não por censura. Na primeira transcrição, o "sifu" foi substituído por "inaudível", embora todos no evento tenham ouvido a palavra.

Quem acabou sendo responsabilizado pelo incidente foram as senhoras que fazem a transcrição dos discursos presidenciais. De acordo com o Planalto, elas não compreenderam a palavra usada pelo presidente. Por isso, optou-se por colocar "inaudível". A Secretaria de Imprensa informou que, assim que o erro foi identificado, ordenou a inclusão da expressão.

E o presidente voltou a demonstrar otimismo ontem, em almoço com generais das Forças Armadas, no Clube da Aeronáutica, e afirmou que este Natal será o melhor desde que assumiu o poder, em 2003. O motivo é o fato de a economia estar crescendo.

Lula: bancos públicos devem ser mais agressivos

Além disso, avaliou Lula, o governo saberá cuidar da crise que começa a produzir desemprego no Brasil. Ele previu que a crise irá acabar até 2010, ano da eleição presidencial no Brasil. No entanto, admitiu, já criou-se um "pânico na sociedade".

- Esta é uma festa de Natal, eu diria, talvez de todas que eu participei com os senhores, melhor, porque a economia está crescendo, tem uma crise que se apresenta pela frente, que nós saberemos cuidar dessa crise para não causar os prejuízos que alguns torcem para causar no país, e que nós vamos trabalhar para não acontecer.

Ontem, Lula se reuniu com dirigentes de bancos públicos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para discutir a situação do crédito. A avaliação foi que BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil têm contribuído decisivamente para manter o fluxo de empréstimos e balizar os juros das operações. Mas é preciso mais agressividade das instituições.

COLABOROU Gerson Camarotti e Henrique Gomes Batista