Título: Emprego industrial e salário tiveram queda
Autor: Barbosa, Flávia; Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 11/12/2008, Economia, p. 29
Em outubro, indústria freou contratações. Cenário trimestral é ruim
Nida Rego e Bruno Villas Bôas
O número de contratações na indústria em outubro foi menor do que em setembro. Houve redução da taxa de ocupação assalariada de 0,2%. Também diminuíram o valor da folha de pagamento (0,2%) e o número de horas pagas (0,3%), segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes) do IBGE, divulgada ontem. A queda de 0,2% nas vagas de trabalho, reflexo da instabilidade econômica, interrompe um ciclo de alta. E a previsão para os próximos meses é ruim, já que em outubro normalmente há aumento na contratação de mão-de-obra por causa das vendas de fim de ano, o que não ocorreu.
Em relação a outubro de 2007, a taxa de ocupação subiu 1,6%, 28ª alta consecutiva. Mas foi a menor expansão desde março de 2007 (1,5%). No acumulado no ano, o emprego aumentou 2,6%. Apesar da redução de 0,2%, no ano, a contratação é maior que a demissão no período, ressalta a coordenadora de pesquisas conjunturais da indústria do IBGE, Isabella Nunes. Ela destaca, porém, que, isolando os números de outubro, há desaceleração do emprego.
- Temos um panorama de desaceleração econômica, mas comparando com os números de 2007 o resultado está melhor, porque o ritmo de crescimento estava mais forte - diz Isabella, acrescentando que dez dos 14 estados pesquisados tiveram taxa de ocupação maior.
As contribuições positivas vieram de Minas Gerais (5,0%), Rio Grande do Sul (3,2%), Rio de Janeiro (2,9%) e São Paulo (1,7%).
Tendência é de alta no PIB "per capita" em 2008
Por outro lado, cálculos da consultoria MB Associados, com base nos dados do IBGE sobre o PIB, revelam que o poder de compra da população brasileira vai crescer neste ano e no próximo. A consultoria projeta que o PIB real per capita avançará 3,64% este ano, frente a 2007, de R$13.990 para R$14.500. Em 2009, frente a 2008, o aumento será de 1,58%, para R$14.730.
O economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que o PIB per capita serve como indicador, mas não reflete avanço em todas as camadas da população. Para ele, no entanto, o Brasil caminha para uma menor desigualdade. Neri lembra que os 10% mais pobres tiveram aumento acumulado da renda per capita no Brasil de 49,7% entre 2001 e 2007. Nesse mesmo período, os 10% mais riscos registraram alta de 6,8% na renda, sinal de melhor distribuição.
- Para frente, as questões ainda estão em aberto. Quem vai perder dinheiro, quem vai ganhar, quando. Existe um cenário de restrição de crédito e grandes empresas sofrendo.
Para a economista Renata Machado, da MB Associados, o ritmo de crescimento da economia brasileira em 2008 e 2009 será maior que o da população, o que contribui para o enriquecimento médio. Segundo o IBGE, a população somará 189,2 milhões de pessoas este ano, alta de 1,88%.
- Estávamos vendo um crescimento forte da população e um PIB com baixo desempenho. Isso mudou a partir de 2006 e será intensificado este ano - disse ela, que estima avanço de 5,6% no PIB em 2008.