Título: Presidente do BB avisa que não vai tolerar risco maior que o aceitável
Autor: Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 11/12/2008, Economia, p. 30
Liberação de crédito está mais criteriosa. Carteira cresce para R$229 bi.
BRASÍLIA. Em meio a fortes pressões do Palácio do Planalto para que os bancos oficiais liberem cada vez mais crédito, o Banco do Brasil (BB) diz que está fazendo seu papel e emprestando mais. Mas avisa: não vai correr riscos além do aceitável. Em entrevista ao GLOBO, o presidente do maior banco público do país, Antonio Lima Neto, argumentou que a demanda por crédito junto à instituição cresceu muito com a crise internacional e, apesar das condições adversas (liquidez menor e expectativa de inadimplência maior), manteve o ritmo das concessões.
No fim de novembro, por exemplo, a carteira de crédito do banco chegou a R$229 bilhões, R$15 bilhões a mais do que tinha em setembro, antes do agravamento da turbulência internacional. Lima Neto ressaltou, porém, que alguns setores - ele não revela quais -, agora, precisam ser mais bem avaliados antes de liberar novos recursos, porque o risco está bem mais sensível. Ou seja, não há disposição de sair liberando crédito às cegas.
- Alguns (clientes) têm de ser vistos caso a caso mesmo. Temos de atender no tempo certo. Mas não temos tido preconceito com nenhum setor ou empresa - afirma Lima Neto, que tem se reunido sistematicamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o mercado de crédito.
Crédito para pessoa física cresce 48% até novembro
A preocupação de Lula, diz Lima Neto, é não deixar que a escassez de crédito seja motivo para uma desaceleração ainda maior da economia brasileira. Há projeções no mercado de que o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer só 2% em 2009, um terço dos quase 6% esperados para este ano. Por isso, o governo não quer, sobretudo, que faltem recursos para capital de giro e investimentos das empresas.
- Eu concordo 100% com as preocupações do presidente (Lula) - diz Lima Neto.
No Planalto, no entanto, há quem critique a postura do BB, que poderia estar concedendo mais crédito do que de fato está, pois possui capital e expertise para tanto. Muito mais do que a Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, que atua com peso no setor imobiliário e tem menos recursos disponíveis.
Lima Neto refuta a crítica com mais números: só com empréstimos de longo prazo, voltados para investimentos das empresas (ou formação bruta de capital), o BB já emprestou R$10,5 bilhões entre janeiro e outubro, 31,25% acima dos R$8 bilhões de igual período de 2007. Em novembro, com recursos do BNDES, foi mais R$1,2 bilhão. Para pessoas físicas, também há expansão: a carteira chegava a R$44 bilhões acumulados até novembro, alta de 48%.
- Não perdemos a velocidade da liberação (de crédito) - diz o executivo, acrescentando que há 1,8 milhão de empresas clientes do BB.
Cautela sobre eventuais recuos de "spread"
Sobre os altos spreads bancários - diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetivamente cobrada do consumidor -, Lima Neto é cauteloso. Diz que, com os cortes nos juros feitos recentemente em algumas modalidades, os spreads do banco estão compatíveis com a média histórica do BB. Mas não arrisca dizer quando vão começar a recuar novamente.