Título: Obama: Começa a escassear munição
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Fonte: O Globo, 17/12/2008, Economia, p. 21
Presidente eleito defende que órgãos do governo, além do BC, participem de ações.
CHICAGO. Antes mesmo do anúncio do corte de juros nos Estados Unidos para um nível recorde, o presidente eleito do país, Barack Obama, advertiu ontem que "começa a escassear a munição tradicional" contra a crise econômica que vive o país. Ao participar de coletiva de imprensa para apresentar Arne Duncan como sua escolha para o cargo de secretário de Educação, Obama afirmou que as taxas de juros nos Estados Unidos estão chegando ao menor nível possível e que, no momento em que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) começa a ficar sem armas suficientes para lutar contra a crise, é "imprescindível" que outras instituições do governo dêem um passo adiante.
Por causa disso, Obama destacou a importância da aprovação de seu plano de recuperação econômica, que será apresentado após sua posse na Casa Branca, no dia 20 de janeiro. Ele se mostrou confiante de que será capaz de tirar os Estados Unidos da recessão, embora tenha admitido que o momento atual é "o mais duro desde a Grande Depressão" da década de 30.
Estava prevista para ontem uma reunião da equipe econômica de Obama, incluindo seu candidato a secretário de Tesouro dos EUA, Tim Geithner, para avaliar a situação atual da crise, mas o resultado do encontro não foi divulgado.
Já o presidente George W. Bush revelou, em entrevista à "CNN", que abandonou os princípios da economia de mercado para buscar salvar o sistema financeiro, segundo a agência de notícias France Presse.
- Abandonei esses princípios para tentar salvar o próprio sistema - disse Bush.
Ele lamentou tal decisão, mas disse que ela foi necessária para "garantir que a economia não desmorone" por completo.
Forte defensor do livre mercado, o presidente americano se voltou nos últimos meses para medidas de intervenção na economia para tentar amenizar o impacto da crise financeira internacional no setor imobiliário e no mercado de crédito, como o pacote de US$700 bilhões para o sistema financeiro. Agora, estuda novo pacote de ajuda para as montadoras americanas General Motors, Chrysler e Ford, após o original ter fracassado no Senado.
O presidente admitiu que os Estados Unidos vivem em uma "enorme recessão".
- Sinto um senso de obrigação com meu sucessor para garantir que não haja uma enorme crise econômica. Estamos em uma crise agora. Estamos em uma grande recessão, mas não quero torná-la ainda pior - apontou.