Título: Em Minas, chuva deixa milhares de desabrigados em diversas cidades
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Fonte: O Globo, 18/12/2008, O País, p. 4

Desde outubro, pelo menos dez pessoas morreram devido aos temporais.

BELO HORIZONTE. A chuva que vem castigando Minas Gerais já matou dez pessoas, desde outubro. Ontem, a irmã de uma das vítimas de um desabamento em Ervália, na Zona da Mata, onde quatro pessoas de uma mesma família morreram terça-feira, morreu ao saber da notícia. Segundo a Polícia Militar, Maria das Graças Lucas teve um ataque cardíaco quando foi informada que o irmão, José Silvério de Souza, de 60 anos, a mulher e os dois filhos do casal tinham morrido. Nos últimos dias, várias cidades de Minas estão inundadas devido ao aumento do volume de água dos rios.

Em Muriaé, na Zona da Mata, dez mil pessoas estão desalojadas e 42 famílias, desabrigadas. Choveu sem parar na cidade nas últimas 72 horas. O acúmulo pluviométrico chegou a 115 milímetros, metade da chuva prevista para dezembro. Os rios Muriaé, Glória e Preto estão oito metros acima do nível normal, o que causou alagamento de dez bairros, além da zona rural.

Em Jeceaba, a Defesa Civil Estadual monitora o nível do Rio Paraopeba, que está quatro metros acima do normal e continua subindo. As águas alagaram toda a parte baixa da cidade. A Defesa Civil está com problemas para chegar ao município por causa do alagamento da BR-040. Congonhas, na mesma região, foi parcialmente inundada.

Vários bairros de Betim, Brumadinho e Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, estão alagados devido à cheia do Rio Paraopeba. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) divulgou ontem alerta sobre a possibilidade de enchentes em municípios às margens do Rio das Velhas, como Nova Lima e Sabará.

A vazão do Rio Itabirito está elevada e não há controle sobre suas águas, pois o afluente do Rio Velhas está situado abaixo da barragem da Usina Rio de Pedras. O risco deve diminuir a partir de hoje. Segundo a empresa, a situação do Itabirito é preocupante, pois seu nível está três vezes acima da média.

O aumento da vazão é conseqüência das fortes chuvas que atingem a Região Metropolitana de Belo Horizonte desde a noite de domingo. Em apenas três dias, o volume alcançou 330 milímetros, o que equivale a 88% da média histórica de dezembro. Há registros de problemas causados pela chuva em todas as regiões do estado, mas é no Leste, no Oeste e na Zona da Mata que a situação mais preocupa.

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