Título: Mandato assumido com a renúncia de Cunha Lima
Autor: Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 19/12/2008, O País, p. 9
Deputado chegou a ser barrado no Planalto.
BRASÍLIA. Aos 26 anos, o paraibano Walter Brito Neto (PRB) perdeu ontem o mandato de deputado federal por ter trocado o DEM - pelo qual foi eleito como suplente em 2006 - pelo PRB. Brito Neto assumiu o mandato em 1º de novembro de 2007, na vaga deixada pelo tucano Ronaldo Cunha Lima, que renunciou ao cargo às vésperas de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para evitar, assim, a condenação. Com a renúncia, o caso voltou para a primeira instância da Justiça. Na época, Brito Neto era vereador em Campina Grande.
Novato na política nacional, o deputado aparenta menos idade do que tem. O fato de ser desconhecido e ter aparência juvenil lhe rendeu até um episódio constrangedor. Disposto a pedir ajuda ao Palácio do Planalto no processo em que estava ameaçado de perder o mandato, Brito Neto tentava subir ao quarto andar para falar com o ministro José Múcio Monteiro. Os seguranças o barraram, duvidando que se tratasse de um deputado.
De novembro de 2007 até agora, Brito Neto apresentou 39 projetos de lei e uma emenda constitucional, nenhum aprovado em plenário. A lista de proposições inclui várias sugestões a diferentes ministros, como a criação do Ministério do Semi-Árido. Um projeto de lei sugere a criação da Área de Livre Comércio em Campina Grande.
Há na lista uma emenda constitucional polêmica, que expropria, sem indenização, glebas adquiridas por estrangeiros na Amazônia, com o propósito de internacionalização. E outra que prevê a adoção da Bíblia Sagrada como livro didático da disciplina de história nas escolas brasileiras.
Na Câmara, Brito Neto foi titular das comissões de Ciência e Tecnologia e Educação. Seu pequeno currículo inclui a medalha de honra ao mérito, concedida pela Câmara de Vereadores de Campina Grande em 2005, por ter sido escolhido o segundo melhor vereador da cidade.
Walter Brito Neto contou que se desfiliou do DEM em setembro de 2007, porque pretendia concorrer novamente às eleições de vereador deste ano e estava se sentindo perseguido no partido. Em outubro, filiou-se ao PRB. Ele acusou o presidente do DEM da Paraíba, senador Efraim Morais, de ser o "dono da legenda no estado". (Isabel Braga)