Título: Pelo menos 17 cidades são porta de entrada para armas ilegais no país
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 07/01/2009, O País, p. 4

Seis dos municípios mapeados em 2008 ficam em Mato Grosso do Sul.

BRASÍLIA. A Polícia Federal identificou pelo menos 17 cidades em regiões de fronteira que seriam usadas como porta de entrada de armas ilegais no país. O principal problema é o contrabando vindo do Paraguai. Seis das cidades estão na fronteira de Mato Grosso do Sul com aquele país: Bela Vista, Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo. No Paraná, Foz do Iguaçu e Guaíra também recebem armas vindas do mesmo local. O chefe da Divisão de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas da PF, delegado Vantuil Cordeiro, disse que o Paraguai continua sendo usado como rota por traficantes.

Outras cinco cidades de quatro estados foram identificadas como receptoras de armas da Bolívia: Corumbá (MS), Cáceres (MT), Guajará-Mirim (RO), Brasileia (AC) e Plácido de Castro (AC). O levantamento foi feito com base nas apreensões realizadas em 2008.

De janeiro a novembro de 2008, foram apreendidas no Brasil 12.594 armas ilegais. Não há dados sobre o percentual recolhido em regiões de fronteira. No mesmo período, foram furtadas e roubadas 7.469 armas.

- Na fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia, verificamos o ingresso de armas de grosso calibre, como fuzis e metralhadoras. A região do Paraná e do Paraguai é rota de armas de calibres menores, como pistola - conta o delegado.

As armas ilegais também chegam por cidades gaúchas: em 2008, Uruguaiana recebeu estoques da Argentina; Quaraí (RS) e Santana do Livramento (RS), do Uruguai. Na Amazônia, Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, também foi mapeada.

Os portos de Santos (SP), Sepetiba (RJ) e Paranaguá (PR) foram identificados como pontos vulneráveis para a entrada de armas. O delegado Vantuil Cordeiro destacou que os mais de 16.800 quilômetros de fronteira do Brasil são um desafio. Como não é possível vigiar toda a área, a PF tem optado pelo trabalho de inteligência e por ações conjuntas com os países vizinhos:

- Nosso caminho é trabalhar junto à população, para que ela passe informação. E trabalhar com inteligência, buscando identificar grupos criminosos para diminuir o ingresso de armas por esse caminho. Isso com o apoio das autoridades desses países, como o Paraguai e a Bolívia, que vêm contribuindo.

Campanha do Desarmamento continua

Cordeiro destacou a ajuda de policiais militares e civis nas apreensões. Disse que, apesar de ainda não ter agentes suficientes para atuar nesse tipo de operação, os policiais federais designados para o serviço são "muito bem preparados". Segundo o delegado, antes de chegar à América Latina, as armas de grosso calibre que ingressam no Brasil vêm de países produtores, como Estados Unidos, China, Rússia e países europeus.

Segundo a PF, 56.415 armas sem registro foram legalizadas em 2008. Outras 500 mil foram entregues na Campanha do Desarmamento, em que, em troca de armas, ilegais ou registradas, o governo paga indenização de R$100 a R$300. A campanha continua, com postos em todo o país.