Título: Para governo, culpa é só da Gol
Autor: Almeida, Cássia; Otávio, Chico
Fonte: O Globo, 22/12/2008, O País, p. 3
Ministro evita críticas a Anac e Infraero e reclama que companhia reduziu funcionários.
Um dia depois de os passageiros constatarem nos aeroportos o mau começo da Operação Feliz 2009 - com a qual o governo tentará evitar, no período de férias que está começando, a reedição do caos aéreo de 2006 - o ministro da Defesa, Nelson Jobim, se apressou em responsabilizar apenas uma companhia aérea pelos muitos atrasos de vôos e pelas longas filas nos balcões de check-in no fim de semana. Jobim disse que os problemas nos aeroportos às vésperas do Natal foram provocados pela Gol. Segundo o ministro, uma redução de funcionários nos quadros da empresa acabou causando os problemas. Ele não fez nenhuma crítica ao trabalho da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Infraero, estatal vinculada a seu ministério.
- Há um problema de operação na Gol. Problemas de despachos da Gol. A Gol teve um problema de redução do número de funcionários. Overbooking não houve, houve cancelamento de vôos. Problemas que estão se resolvendo - disse Jobim, ao participar da Cúpula Brasil e União Européia, no Rio.
Em resposta, a empresa se limitou a divulgar nota informando que os "problemas pontuais" ocorridos sábado e domingo foram solucionados e que sua expectativa era regularizar os vôos ainda ontem. A julgar pelo boletim divulgado pela Infraero às 19h, não conseguiu. Do total de 1.632 vôos previstos entre meia-noite e 19h, 447 (27,4%) sofreram atraso superior a 30 minutos. E os principais problemas ocorreram mesmo com a Gol, que registrou atraso em quase metade de seus vôos. A empresa programou 503 vôos nesse período, e 238 deles (47,3%) saíram atrasados. A TAM operou com 606 vôos entre meia-noite e 19h e teve 71 atrasos (11,7%).
"A Gol reitera seu compromisso com a segurança, a qualidade e a agilidade dos serviços prestados e informa que está trabalhando em consonância com as autoridades aeronáuticas para garantir um fim de ano tranqüilo nos aeroportos brasileiros", diz a nota da Gol, informando medidas adicionais como o aumento de duas para quatro aeronaves reservas nos aeroportos de Guarulhos e Galeão.
Aeroviários fazem protesto no Rio
Embora tenha evitado rebater diretamente as declarações de Jobim, a Gol afirmou na nota ter aumentado o seu pessoal nos aeroportos.
Além dos problemas operacionais, a chuva voltou a atrapalhar o movimento no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, que ficou parado durante uma hora e meia, à tarde. Alguns vôos tiveram atraso de quase duas horas. A Anac também mencionou, em nota, o mau desempenho do Gol: "A companhia Gol/Varig voltou a operar com atrasos muito superiores às demais empresas". Mas atribuiu os atrasos às fortes chuvas que caem nas principais cidades do país.
Entre os principais aeroportos, o mais atingido foi o de Brasília. Mais de um terço dos 125 vôos programados para sair entre meia-noite e 19h se atrasaram: 45 deles (36,6%) decolaram depois do horário previsto. Em seguida aparecem Congonhas, com 31,4% de atrasos; Tom Jobim, no Rio, com 26,9%; Guarulhos, 26,3%; e Confins, em Belo Horizonte, com 21,9%.
No Rio, cerca de 300 aeroviários deram um início de que mais problemas podem estar a caminho. Eles interromperam ontem, nas primeiras horas da manhã, a pista de acesso ao aeroporto Tom Jobim, protestando contra posição das empresas aéreas na negociação salarial com a categoria. No fim da tarde, as empresas aéreas apresentaram proposta de reajuste linear de 8%. Os aeroviários decidiram, então, suspender uma paralisação de 48 horas, que fariam nos dias 24 e 25, para votar em assembléia se fecham acordo com os empregadores.