Título: Décimo terceiro piora contas públicas
Autor: Duarte, Patrícia; Bastista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 31/12/2008, Economia, p. 22
Antecipação fez superávit fiscal cair R$10 bi no mês.
BRASÍLIA e RIO. As contas públicas brasileiras tiveram resultados quase opostos em novembro. Por um lado, o superávit primário - economia que o país faz para pagamento de juros - despencou cerca de R$10 bilhões, sobretudo por causa do pagamento antecipado de parte do décimo terceiro salário do setor público. De outro, a relação dívida/Produto Interno Bruto (PIB) mostrou um desempenho bastante favorável, fechando o mês a 34,9%, o menor nível desde maio de 1998 (33,9%), em razão da forte desvalorização cambial, que puxou o dólar a R$2,30 por causa da crise global. Em outubro, essa relação estava em 36,3%.
Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a tendência da relação dívida/PIB continuará sendo de queda porque o o Brasil é credor em dólares. Quando a moeda sobe, a dívida líquida fica menor.
No mês passado, o superávit primário ficou em R$1,944 bilhão, quase 87% menor que resultado de outubro, de R$14,472 bilhões. No ano, o superávit primário estava positivo em R$134,830 bilhões, o melhor resultado da série, iniciada em 1991. Além do décimo terceiro, o resultado foi afetado por mais investimentos da União, principalmente por causa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Foi publicado ontem no Diário Oficial uma mudança no estatuto do BNDES que vai ampliar sua capacidade de financiamento. O banco poderá distribuir apenas 25% do seu lucro como dividendos, investindo o restante.