Título: Braços cruzados na GM
Autor: Barbosa, Adauri Antunes; Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 14/01/2009, Economia, p. 17

Operários de São José dos Campos protestam contra demissões.

SÃO PAULO. Os trabalhadores dos turnos da manhã e da tarde da fábrica da General Motors (GM) de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, pararam suas atividades ontem por uma hora em protesto às 802 demissões anunciadas pela montadora nas últimas sexta-feira e segunda-feira. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, pela manhã os funcionários paralisaram a produção entre 5h50m e 6h50m nos setores do MVA, onde são fabricados carros Corsa, e no S-10, que produz as picapes da montadora. A atividade foi a primeira do que os sindicalistas estão chamando de "escalada de mobilizações" contra as dispensas.

- É a primeira iniciativa de uma escalada de mobilizações que prevê diversas atividades de protesto contra as demissões de trabalhadores - explicou Luis Carlos Prates, secretário-geral do sindicato, que teme que as demissões agora atinjam os 1.800 trabalhadores temporários da unidade de São Caetano do Sul, no ABC paulista.

Os trabalhadores também aprovaram por unanimidade em assembléia a exigência de que a GM readmita os funcionários dispensados e conceda estabilidade no emprego a todos. Reivindicaram ainda uma atuação dos governos federal, estadual e municipal contra as demissões e em favor da garantia dos empregos dos metalúrgicos.

Na unidade de Gravataí (RS), está marcado para hoje um ato de desagravo contra as demissões na fábrica de São José dos Campos. Segundo o presidente do sindicato local dos metalúrgicos, Valcir Ascari, o temor dos empregados na unidade gaúcha é de que os cortes cheguem até eles.

A direção da GM, porém, considera que a quebra dos contratos temporários não pode ser configurada como demissão. Em nota, a montadora alega que a medida diz respeito apenas aos funcionários temporários, que foram contratados para reforçar a produção e atender ao crescimento das vendas de veículos no mercado brasileiro até setembro. Este cenário de expansão, alega a GM, não existe mais.